Conheça a Síndrome de Burnout que é causado pelo excesso de trabalho

A Síndrome de Burnout (BS) é um distúrbio psiquiátrico caracterizado por sinais de exaustão física e emocional por decorrência do trabalho; confira

Síndrome de Burnout (BS) é ocasionada pelo trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional, Gazeta entrevistou o médico neurologista João Nicoli que explicou causas, sintomas e tratamentos

Síndrome de Burnout (BS) é ocasionada pelo trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional, Gazeta entrevistou o médico neurologista João Nicoli que explicou causas, sintomas e tratamentos | Elisa Ventur/ Unsplash

A Síndrome de Burnout (SB) é ocasionada pelo trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional. A Gazeta entrevistou o médico neurologista João Nicoli que explicou causas, sintomas e tratamentos da doença. Confira abaixo:

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O que é a síndrome de Burnout?

A origem do conceito Burnout se deu nos Estados Unidos em meados dos anos 1970, para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações.

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“Trata-se de um distúrbio psiquiátrico caracterizado por sinais de exaustão física, emocional, despersonalização e reduzida realização profissional em decorrência de uma má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional”, afirmou o neurologista em entrevista à Gazeta

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O que leva uma pessoa a sofrer de síndrome do Burnout?

Para o neurologista, há um conjunto de fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver a síndrome, a principal delas é a carga de trabalho intensa. 

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“A grande competição no mercado de trabalho, o perfeccionismo em excesso, a necessidade de se produzir mais e mais rápido, o assédio moral, a falta de reconhecimento profissional, de cooperação entre os colegas de trabalho e de propósito/sentido pessoal em relação ao trabalho desempenhado acabam gerando um desgaste físico e emocional dos trabalhadores”, pontuou o especialista.

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O estresse é um sinalizador de alguém à beira de um Burnout?

O Burnout, muitas vezes, pode ser confundido e associado ao estresse. O neurologista explicou a relação entre os dois.

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“O estresse consiste em um estado ativo em que o indivíduo se encontra diante de uma situação alarmante. Esse sentimento, normalmente, desaparece durante períodos de repouso e lazer, porém, quando isso não ocorre, surge um estado de estresse crônico que pode desencadear a Síndrome de Burnout (SB)”, explicou o médico para a Gazeta.

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Quais são as pessoas que têm mais tendência a desenvolver a Síndrome de Burnout? 

Para o neurologista, há certos grupos que apresentam mais probabilidade de desenvolver o transtorno. Dentre eles, profissionais da saúde, cuidadores, professores, bombeiros, policiais e agentes penitenciários.

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Professores

Os professores são um dos profissionais atingidos por essa sindrome.

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“Um estudo conduzido com 119 professores da rede pública, 70,13% apresentavam sintomas de Burnout. Dentre eles, 85% sentiam-se ameaçados em sala de aula, 44% cumpriam uma jornada de trabalho superior a 60 horas semanais e 70% tinham idade inferior a 51 anos”, trouxe o médico.

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O especialista citou um estudo que faz ligação da doença com a vivência em sala de aula.

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Nesse estudo, constatou-se que a SB em professores relaciona-se à violência instalada em sala de aula, à jornada excessiva, aos baixos salários, à idade do professor (associada à falta de experiência profissional) e à formação continuada deficitária”, apontou o neurologista.

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Profissionais da área da Saúde

A área da Saúde possui cargas horárias longas, com plantões de 12 horas e esse fato pode ser um sinal de alerta para o desenvolvimento de Burnout.

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“Uma pesquisa com 151 profissionais de enfermagem em um hospital de grande porte da Região Sul do Brasil detectou que 54 (35,7%) dos trabalhadores apresentaram SB. A prevalência da SB apontada por estudo em médicos intensivistas da cidade de Salvador foi de 63,3%. O trabalho exercido por esses profissionais foi classificado como de alta demanda psicológica, o que implica maiores riscos à saúde do trabalhador”, explicou o profissional.

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Quais são os outros sintomas que o Burnout causa?

Para João Nicoli, além do estresse, há outros diversos sintomas associados ao Burnout. Os principais são: 

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Exaustão Emocional

Ocorre quando o indivíduo percebe não possuir mais condições de despender a energia que o seu trabalho requer. 

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Despersonalização 

É um elemento que distingue essa síndrome do estresse. Originalmente apresenta-se como uma maneira do profissional se defender da carga emocional derivada do contato direto com o outro. Devido a isso, desencadeiam-se atitudes insensíveis em relação às pessoas nas funções que desempenham, ou seja, o indivíduo cria uma barreira para não permitir a influência dos problemas e sofrimentos alheios em sua vida e acaba agindo com cinismo, rigidez ou até mesmo ignorando o sentimento alheio. 

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Redução Profissional

O fenômeno ocorre na sensação de insatisfação que a pessoa passa a ter com ela própria e com a execução de seus trabalhos, derivando daí sentimentos de incompetência e baixa autoestima.

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Outros sintomas apontados pelo médico são fadiga constante e progressiva, dores osteomusculares, distúrbios do sono, cefaleias, transtornos cardiovasculares, disfunções sexuais, falta de atenção/concentração, alterações da memória, baixa autoestima, desânimo, depressão, negligência, irritabilidade, incapacidade para relaxar, síndrome do pânico entre outros.

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Como prevenir a Síndrome de Burnout?

O especialista em entrevista para a Gazeta explicou que a prevenção do Burnout, pode vir por diversas ações que podem ser implementadas. Alguma dessas dicas dadas pelo médico são:

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Redefinição e a reorganização dos processos de trabalho

uma das principais estratégias para prevenir a síndrome é enfatizar a promoção dos valores humanos no ambiente de trabalho, para fazer dele uma fonte de saúde e realização. 

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Descanso ativo

Muitas vezes, tomados pelo cansaço excessivo, somos compelidos a passar horas assistindo streaming ou deitados no sofá. Mas, os estudos mostram que o tipo de descanso que mais recupera nossa energia é descansar exercendo alguma atividade mentalmente e/ou fisicamente estimulantes como, por exemplo, esportes, culinária, jogos mentais ou leitura.

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Fuja dos falsos entretenimentos como os aplicativos de relacionamento online.

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Sono de qualidade

Muito além de algumas horas de descanso, o sono é um período de intensa atividade cerebral e metabólica, durante o qual é produzido grande parte dos hormônios que usaremos durante o dia. É durante o sono que nosso cérebro faz o detox do lixo metabólico acumulado durante o dia e nos prepara para o próximo.

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Defina limites

Aprenda a dizer “não” quando a carga de trabalho se tornar excessiva. Estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal ajuda a evitar a exaustão. 

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Tenha equilíbrio entre trabalho e vida pessoal

Se você não se dedicar a ter um tempo para suas realizações pessoais, você viverá apenas para servir aos propósitos que não são seus. Com o tempo, vamos nos sentindo sufocados pela nossa própria rotina e, cada vez menos, donos da nossa própria vida.

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Dedique um momento do dia para desempenhar aquilo que você mais gosta. Estabeleça limites claros entre o tempo dedicado ao trabalho e o tempo para atividades pessoais, hobbies e relacionamentos.

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Comunicação aberta:

Mantenha uma comunicação aberta com colegas e supervisores. Discuta preocupações sobre carga de trabalho, prazos irrealistas ou qualquer fator que possa contribuir para o estresse no ambiente de trabalho.

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Cultive relacionamentos saudáveis dentro e fora do ambiente de trabalho

O apoio social pode ajudar a enfrentar desafios e proporcionar um senso de pertencimento.

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Definição de metas realistas

Estabeleça metas alcançáveis e realistas, evitando sobrecarregar-se com expectativas excessivas.

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Gestão do estresse

Aprenda técnicas de gerenciamento de estresse, como meditação, mindfulness, yoga e exercícios de respiração. Essas práticas podem ajudar a reduzir os níveis de estresse antes que eles se acumulem.

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Descansos estratégicos

Tire pequenos intervalos durante o dia para descansar, esticar e recarregar as energias. Isso pode melhorar a produtividade e reduzir o estresse.

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Por fim, o médico neurologista João Nicoli, aconselhou sempre a buscar ajuda profissional caso se identifique com os sintomas. “Se você está sofrendo de Burnout, é importante procurar ajuda de profissionais de saúde mental. Eles podem oferecer aconselhamento e terapia para lidar com os sintomas e desenvolver estratégias seguras”.

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* Texto sob supervisão de Matheus Herbert