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Toneladas de lixo ficam acumuladas nas praias brasileiras | Lucien Wanda/Pexels
Mar azul, céu limpo e paisagens deslumbrantes. Esse é o cenário esperado para visitas ao litoral nordestino, mas a realidade pode ser bem diferente. Em praias da Bahia e de Natal (RN), são encontradas pilhas de embalagens plásticas, e a maioria nem é brasileira.
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As garrafas de bebidas, embalagens de alimentos e frascos de produtos são de diversas origens. Em uma aula inusitada de idiomas, são encontrados rótulos em tailandês, inglês, mandarim, árabe e diversas outras línguas.
Mas, afinal, como todo esse plástico vai parar lá? É o que uma pesquisa conduzida pela indústria baiana Veracel Celulose buscou responder.
O melhor destino para lixos não-orgânicos é a reciclagem. Mas, segundo estudo da ONG Center for Climate Integrity, apenas 9% do plástico é reciclado no mundo. O resto é descartado irregularmente, pensando em ‘jogar fora’.
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“Entender de onde está vindo o lixo mostra que não existe o conceito de jogar algo fora, pois o fora será sempre algum lugar. Por isso, a conscientização quanto aos hábitos de reciclagem são necessidades globais”, explica Carolina Weber Kffuri, bióloga e especialista em Responsabilidade Social na Veracel.
O estudo identificou embalagens com origens de mais de 20 países diferentes. “A análise dos resíduos revelou uma predominância de garrafas plásticas provenientes da Ásia”, apontou a pesquisa.
Segundo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e especialista em poluição marinha, a hipótese mais provável para esse acúmulo de lixo é pelo descarte irregular de navios.
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Os mares são fortemente explorados tanto pelo comércio mundial quanto pelo turismo. Junto com as mercadorias e passageiros, esses navios também carregam grandes quantidades de lixo, que não são descartados corretamente.
"Esses navios transportam pessoas, que consomem produtos que são jogados no mar. Então, tudo o que estava na embarcação e que foi comprado no porto de origem vai cair no mar, pode ser em Singapura, Vietnã, China, ou qualquer lugar”, explica Turra em entrevista à BBC.
Os navios deveriam separar o lixo entre reciclável e orgânico e descartá-lo corretamente nos portos pelo mundo. O problema é que esse descarte pode ser caro, dependendo da quantidade de resíduos. Por isso, muitos jogam no mar antes de atracarem.
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O acúmulo do lixo gera diversas consequências tanto para o meio ambiente quanto diretamente para os humanos. Os animais confundem as embalagens com comida, e podem morrer asfixiados ou contaminados, além de ficarem presos nos plásticos.
Para a população, os impactos também são diretos. O primeiro, e mais imediato, é na economia. O turismo sofre quedas significativas nessa situação, afinal “quem vai querer visitar uma praia cheia de lixo?”, pondera Turra.
A longo prazo, os plásticos são ainda mais perigosos. Ao começar a se decompor, as embalagens liberam os chamados microplásticos, que se acumulam no solo, na água e até no ar. Peixes acabam comendo essas substâncias e, quando ingeridos por humanos, podem gerar infecções graves.
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“O microplástico é encontrado no ar, em quase todas as espécies marinhas importantes para o consumo humano e no sal de cozinha, por exemplo. Em cada litro de água mineral pode ser encontrado em média cerca de 325 partículas de microplásticos”, explica o pesquisador português especialista em microplásticos, André Lima, para a Veracel.
Enquanto o descarte irregular não for combatido, a situação vai piorar cada vez mais. O acúmulo de lixo no litoral é perigoso a curto e longo prazo, afetando economia, meio ambiente e saúde.
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