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Ultramaratonista encara desafio insano e correrá 4 mil km na rodovia mais isolada do Brasil

Em entrevista à Gazeta, Carlos Dias revelou como foi ter corrido mais de duas voltas e meia na Terra em 32 anos de carreira

Bruno Hoffmann

27/02/2025 às 18:20

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Ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta

Ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta | Reprodução

O ultramaratonista Carlos Dias percorreu os desertos mais extremos do planeta, como a Antártida e o Saara, e cruzou, literalmente, do Oiapoque ao Chuí.

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Agora, anunciou que pretende correr no segundo semestre de 2025 a Transamazônica, a rodovia mais isolada do Brasil, em um desafio de 4,2 mil quilômetros.

Em entrevista ao podcast Direto da Gazeta, nesta semana, o superatleta explicou que as façanhas conquistadas em 82 países durante mais de 30 anos de carreira pouco têm a ver com a sua condição física. O verdadeiro aliado é a parte mental, explicou.

“O músculo é o que menos importa. O que mais importa é a mente. A ultramaratona dura sete dias e são nos dois primeiros que mais atletas mais desistem”, destacou.

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O atleta contou como é correr 250 quilômetros (a distância padrão de uma ultramaratona) com uma mochila de 15 quilos nas costas. Os detalhes foram revelados pelo livro Além do Extremo, publicado no ano passado, e que ainda conta toda a trajetória do garoto nascido e criado em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Carlos (que é formado administração de empresas, com pós em psicologia organizacional) também contou por que decidiu dedicar o seu talento a ajudar crianças com câncer do Graac. Hoje, ainda dá palestras sobre motivação, gestão de crises e riscos, recursos humanos e trabalho em equipe para diversas empresas, grupos e organizações do Brasil e do mundo.

Desertos extremos

Em 2009, em menos de um ano, Carlos percorreu ultramaratonas nos quatro desertos mais extremos do mundo: Gobi (o mais úmido), Saara (o mais quente), Antártida (o mais frio) e Atacama (o mais alto).

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Na entrevista, o são-bernardense explicou que, em geral, atletas precisam correr nessas etapas cerca de 40 quilômetros por dia em condições inóspitas, como solo irregular e animais selvagens pelo caminho. E, pior: tudo, absolutamente tudo o que for consumir precisa ser levado na mochila.

“Se comprarmos uma água num vilarejo somos punidos. Se deixarmos cair uma tampinha na natureza somos punidos. É um desafio físico, claro, mas absolutamente mais é um desafio mental, psicológico”, destacou.

Como exemplo, lembrou que após correr, seguindo bandeirinhas pelo caminho (é proibido usar GPSs), é preciso chegar em um acampamento e preparar a própria comida numa fogueira feita pela organização.

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Então, é preciso dormir para começar tudo de novo no dia seguinte, e no outro, e no outro, durante sete dias. “Normalmente as pessoas desistem entre o primeiro e o segundo dia. Eu nunca desisti”, disse.

Animais selvagens

Um dos pontos mais tensos é quando se depara com animais pelo caminho. Uma vez, por exemplo, foi seguido durante a noite por uma onça-pintada numa corrida pelo Brasil.

Na Capadócia, na Turquia, foi a vez de lobos selvagens correrem ao seu lado. “E eu pensei que fossem cachorros [risos]. Sorte que me confundi, senão eu teria ficado com muito mais medo”, lembrou.

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O medo, aliás, ele disse que costuma ser um companheiro de viagens, e é bom que exista o sentimento, para não se sentir invencível.

“Sou uma pessoa medrosa, e isso sempre me ajudou a sobreviver a momentos difíceis nas viagens. O risco de se machucar num lugar isolado e não ser mais achado é algo real na minha atividade”, destacou.

Desafio dos patrocínios

Na entrevista, o atleta afirmou, também, que apesar de já ter percorrido distâncias que ultrapassam duas voltas e meia na Terra, ainda tem dificuldade de buscar patrocínios novos, apesar de ter parceiros comerciais que o acompanham há décadas (como a Tegma Gestões Logísticas).

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Cada ultramaratona tem custo de inscrição de cerca de 3,5 mil dólares (ou mais de R$ 20 mil), além da viagem, hospedagem, alimentação etc, sem contar o tempo de preparação antes das provas.

“Minhas corridas começam meses antes de realmente começar a correr”, lembrou.

Ele também lançou um novo modelo: vender quilômetros das corridas para todos os públicos poderem o apoiar nas provas. As recompensas vão de um Certificado de Gratidão a palestras exclusivas e personalizadas para mais de 50 pessoas.

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Crianças com câncer

Carlos doa parte de tudo o que ganhou com as corridas desde 2009 para o Graac, instituição paulistana que atende crianças e adolescentes com câncer. O propósito se iniciou após visitar a sede, na zona sul de São Paulo, e ouvir de uma criança: “Não desiste, tio”.

“Nunca mais me esqueci daquilo, e nunca mais deixei de ajudar”, afirmou.

O momento mais duro foi em 2010, quando saiu para "s“mplesmente" ”ircular o mapa do Brasil correndo apenas 40 dias depois da morte da mãe, a grande inspiração que teve na vida para se tornar quem se tornou.

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“Esquece os desertos: essa foi a prova mais dura que fiz na vida. Os primeiros dias foram extremamente exaustivos, eu estava um trapo. Por isso digo que que a mente o estado de espírito é mais importante do que o corpo”, afirmou.

Mesmo assim, ele cumpriu o desafio absurdo, e ainda juntou mais de R$ 36 mil para o Graac.

Como começar a correr

Para quem tem vontade de correr – não ultramaratonas, mas de fim de semana, como hobby –, Carlos deu uma dica simples e direta: “comece andando”.

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“Hoje muitas pessoas na internet colocam um monte de barreira. Na verdade, é só se movimentar. Nosso corpo foi feito para ser gasto. Quanto mais gasta o corpo, mais flexível e forte ele fica. Inclusive na parte mental”, explicou.

Ele também ressaltou que é fundamental não se comparar a ninguém, e fazer o que for possível por si só.

Além de correr, ele contou que também ama dançar. "Têm coisas da vida que o caos não me tira: correr e dançar”.

O ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta
O ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta
O ultramaratonista Carlos Dias mostra uma das medalhas conquistadas durante a carreira
O ultramaratonista Carlos Dias mostra uma das medalhas conquistadas durante a carreira
O ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta
O ultramaratonista Carlos Dias durante entrevista ao podcast Direto da Gazeta

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