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A conversa com o filho é fundamental, tanto para descobrir se ele é vítima de bullying, ou se ele é causador | Pixabay/Pexels
A volta às aulas costuma ser um período muito feliz para muitas crianças: rever os amigos e conhecer coisas novas é motivo de alegria. Mas para algumas não é bem assim, ainda mais se ela começou os estudos em uma escola nova, não conhece ninguém, e tem medo de não ser aceita. E o pior, sofrer bullying, quando o aluno sofre algum tipo de violência, física ou psicológica, por parte de um colega de sala ou de um grupo.
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“É um sintoma de feridas identitárias que se manifestam em grupo. Como elas não são tratadas, elas se mantêm”, explica a psicóloga Fernanda Aoki, mestre em psicologia pela USP, escritora, coach e conferencista. O termo ‘ferida identitária’ é fundamental para entender como o bullying funciona e por que ele é tão comum na escola.
“No bullying, temos o agressor e o alvo. Eles têm algo em comum: uma ferida que não é tratada. O agressor não consegue resolver esse problema, e encontra em alguém um alvo para projetar esse medo. Se o alvo reconhece que tem esse mesmo problema, ele se identifica e se sente excluído”, explica. Por outro lado, se o alvo não dá ouvidos e não se identifica com o problema, ele ignora e o bullying não faz efeito.
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Outro fator fundamental para a existência do bullying é a plateia: o agressor se sente mais fortalecido se ele está em um grupo que o estimula. “Ninguém quer ser o diferente. Os outros também têm medo de virar alvo, por isso que é raro alguém defender o agredido”, conta.
O bullying é um fenômeno que sempre existiu, e tem a ver com um dos maiores medos de crianças e adolescentes que convivem em grupo: o medo da rejeição. E os pais são fundamentais para ajudar a criança ou o adolescente a superar isso. Primeiro, é importante identificar sinais que mostram que o filho é vítima de bullying. “Ele fica mais retraído, tem dificuldade de participar de brincadeiras em grupo, fica muito tempo no celular, e pode ter rompantes: explosões de sentimentos repentinos”, conta.
Os sinais que o agressor mostra são parecidos com os do alvo e tão sutis quanto. “Ele tem um comportamento oposto em casa: tem dificuldade de se expressar, são tímidos, se comunicam menos com os pais e não são muito imaginativos”. Por isso que, muitas vezes, os pais são surpreendidos quando a escola os notifica por mal comportamento.
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Em ambos os casos, é fundamental que os pais procurem conversar com os filhos, para entender o que está acontecendo, para que eles entendam seus sentimentos e saibam lidar com eles.
Uma atitude simples, como colocar crianças para brincar juntas, é um bom exemplo: mostra a capacidade do filho de se socializar, e dá segurança a ele. Já na escola, aquele colega mais popular pode se enturmar com o novo aluno, para apresentá-lo aos demais. Isso ajuda a evitar que episódios de bullying aconteçam. E, claro, se necessário, procurar ajuda especializada – se não tratada, a criança ou o adolescente podem desenvolver depressão e até síndrome do pânico.
“Levar o filho ao psicólogo aumenta a imunidade psíquica dele, e ele consegue lidar melhor com isso”, completa.
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O que fazer para evitar
A conversa com o filho é fundamental, tanto para descobrir se ele é vítima de bullying, ou se ele é causador. Ele precisa entender que os pais são um apoio para superar seus medos e dificuldades. Há algumas atitudes que ajudam nesse sentido:
1. Incentive-o a procurar apoio com amigos próximos, inclusive um psicólogo;
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2. Não o estimule a revidar as agressões, isso pode piorar ainda mais as coisas;
3. Se ele vir algum episódio, oriente-o para não ignorar nem rir, e sim defender;
4. Em casos recorrentes, denuncie aos pais ou à escola; em casos mais graves, procure delegacias ou o Ministério Público.
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