Entre em nosso grupo
2
Cotidiano
Jogo online é de caráter caça-níquel e se configura como jogo de azar, não permitido no País
Continua depois da publicidade
Polícia Civil investiga 'Jogo do Tigrinho'; são mais de 500 BOs registrados desde 2023 | Reprodução
A Polícia Civil de São Paulo investiga o “Jogo do Tigrinho”, utilizado por organizações criminosas para aplicação de golpes. Esquema engloba influenciadores digitais, plataformas de pagamento e organizações criminosas e é motivo de mais de 500 boletins de ocorrência no estado de São Paulo desde 2023.
Continua depois da publicidade
O game de celular simula uma espécie de caça-níquel, no qual o jogador faz uma aposta e aciona uma roleta em busca de sequências de figuras repetidas para recompensas em dinheiro. Como o ganho depende exclusivamente de uma suposta sorte do jogador, a prática é considerada jogo de azar e pode causar vício.
Segundo as investigações da 3ª Delegacia do Departamento de Investigações Criminais da Polícia Civil (Deic), as plataformas ficam hospedadas fora do País e são clandestinas. Para atrair usuários, os criminosos criam perfis falsos e grupos nas redes sociais convidando para o jogo.
Segundo a polícia, os golpistas também pagam influenciadores digitais para divulgação do jogo com postagens simulando uma vida de ostentação, que teria sido possível graças aos supostos ganhos na plataforma.
Continua depois da publicidade
“A pessoa clica no link e é redirecionada para a plataforma, onde faz um cadastro. Normalmente, ela paga para realizar esse cadastro e começa a realizar as apostas. O que apuramos nos inquéritos é que esses influenciadores têm feito postagens falsas de supostos ganhos no jogo. Ou seja, aquela quantia de R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 90 mil que eles falam que ganham não é realidade. São postagens falsas que enganam os usuários e fazem com que passem a apostar cada vez mais”, explica o delegado Eduardo Miraldi.
Em alguns casos, os usuários chegam a ganhar prêmios. Mas ao fazer o pagamento de um valor exigido para liberar a quantia total, a conta é bloqueada e o prêmio não se concretiza.
“Esses eventuais prêmios não são reais, temos inúmeros boletins de ocorrência registrados no estado de pessoas que apostaram e ganharam, mas nunca receberam o prêmio. O golpe está aí”, afirma o delegado.
Continua depois da publicidade
Além dos influenciadores e dos proprietários das plataformas, a polícia também investiga as intermediadoras dos pagamentos feitos pelos usuários. “É uma estrutura bastante complexa e que envolve muita gente para praticar esse crime”, diz Miraldi.
Com o alto volume de denúncias, a Polícia Civil tem realizado operações e feito indiciamentos contra os golpistas. Veículos e imóveis também já foram apreendidos. Além da contravenção penal devido ao jogo de azar, os envolvidos podem responder por estelionato, crime contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro, segundo informações do Governo do Estado.
*Texto sob supervisão de Diogo Mesquita
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade