Procrastinação pode ser TDAH: Saiba as causas, sintomas e tratamento

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema neurobiológico; Gazeta entrevistou especialista que pontuou as causas e os sintomas

O ato de procrastinar pode ser sintoma de TDAH; veja sintomas, causas e tratamento

O ato de procrastinar pode ser sintoma de TDAH; veja sintomas, causas e tratamento | Photoroyalty no Freepik

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento. O transtorno afeta cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados divulgados em 2022 pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). A Gazeta conversou com o neurologista, João Nicoli, que explicou causas, sintomas e como tratar.

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Um dos sintomas menos conhecidos e mais julgados deste transtorno é o hábito da procrastinação, muito  confundida com a preguiça. Confira abaixo entrevista exclusiva com o profissional da saúde. 

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O que é TDAH? 

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“Quando falamos sobre Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) a primeira coisa que nos vem à cabeça é que estamos diante de um cérebro ‘defeituoso’, mas na verdade, o cérebro do TDAH tem um funcionamento diferente que, se bem administrado, pode levá-lo à plenitude produtiva e se não, à exaustão de um cérebro que não para nunca.”, disse o neurologista João Nicoli. 

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Quais são os sintomas TDAH? 

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O neurologista explicou que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que acomete cerca de 7% da população. O profissional ainda explicou que o transtorno se manifesta desde a infância e nasce de uma tríade de base alterada:

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  • Instabilidade da atenção;
  • Impulsividade;
  • Hiperatividade física ou mental;

O especialista ressaltou que a pessoa que tem TDAH tem algumas propensões. “São pessoas que apresentam forte tendência a dispersão, descontrole alimentar, gastos exagerados, instabilidade nos relacionamentos, empregos e grupos sociais. Estão sempre mexendo os pés ou as mãos ou em uma conversa costumam interromper o outro o tempo todo”. 

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O TDAH pode ser hereditário?

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“Apesar da origem e fisiopatologia permanecerem desconhecidas, as evidências que temos hoje mostram decorrer de interações complexas entre fatores genéticos e epigenéticas (ambientais). Pais biológicos de pessoas com TDAH possuem risco entre 2-8 vezes superior de também possuírem o transtorno”, explicou o especialista.

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O neurologista também explicou que há vários genes relacionados ao TDAH, em geral associados aos receptores de dopamina, entre eles:  DRD1, DRD2 e DRD4. “É uma desordem que afeta profundamente o desenvolvimento acadêmico, bem estar, autoestima e, em cerca de 75% dos casos, coexiste a outras condições como transtornos de ansiedade e/ou humor, abuso de substâncias e transtornos de conduta”, explicou e pontuou o neurologista. 

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Preguiça ou procrastinação?

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Muitos relacionando o trantorno a preguiça, mas não é bem assim. “É muito comum que crianças e adultos desde muito cedo recebam rótulos pejorativos como o de preguiçosos, pois comumente se atrasam para compromissos, perdem prazos ou procrastinam excessivamente”, ressaltou João Nicoli. 

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Nicoli explicou o que é a procrastinação. “A procrastinação é o comportamento de adiar a realização de uma tarefa quando ela poderia ser realizada no presente. Ela parece fazer parte de nosso instinto de sobrevivência e surge da ansiedade e da impulsividade. Em geral, somos levados a evitar ações que nos geram algum tipo de sofrimento, seja ele tédio, ansiedade, frustração, medo ou ainda ações que carecem de sentido pessoal para nós, por mais que elas estejam associadas a um bem maior a longo prazo. É um cérebro que tende a não lidar tão bem com recompensas muito distantes e, assim, optam frequentemente pelo benefício do ‘aqui e agora”. disse à Gazeta. 

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Já a preguiça para o especialista é a pura falta de disposição para realizar as tarefas. 

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Tem como se prevenir?

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Segundo o neurologista, a comunidade científica ainda não entende completamente a origem do transtorno, mas que em algum grau é determinada pela interação entre o DNA e fatores ambientais. João Nicoli afirma que ter alguns hábitos podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Confira alguns abaixo: 

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  • Exposição materna ao tabaco, álcool, mercúrio;
  • Deficiências nutricionais (ômega 3, magnésio, ferro, zinco);
  • Exposição precoce a agrotóxicos e pesticidas; 
  • Traumas e abuso sexual;

O especialista afirmou que se  retirarmos esses fatores ambientes, conseguiríamos também, em alguns caso fazermos com que esses genes patológicos não se expressassem. “Isso chamamos de silenciamento gênico. O indivíduo possui predisposição genética, mas não expressa os sintomas, ou o faz de maneira leve”. 

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Qual o tratamento para o TDAH?

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“Em primeiro lugar, é importante lembrar que o cérebro é um órgão que precisa de nutrientes e descanso adequado. Além disso, estar ciente de como suas escolhas, seu estilo de vida e os eventos emocionais vividos podem afetar seu equilíbrio mental”, explicou o neurologista.

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O hábito de ter uma boa higiene do sono pode contribuir positivamente, explicou o especialista. “Dormir adequadamente é essencial para nossa capacidade de prestar atenção e de manter o foco nas tarefas que desempenhamos todos os dias. Dormir bem requer comprometimento.”

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Praticar atividades fisícas também é uma orientação dos profissionais da área. “A prática regular de exercício físico oferece uma gama impressionante de benefícios para a saúde, muitos dos quais podem ajudar na manutenção de um cérebro saudável”, ressaltou João Nicoli. 

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O médico terminou dizendo que o tratamento pode contar com um conjunto de profissionais. “O tratamento pode se basear em com colaboração de profissionais de psicologia, nutrição, terapia cognitivo comportamental e, se indicado, medicamentos voltados à recuperar o equilíbrio de neurotransmissores e com isso, mudar a vida dessas pessoas”. 

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*Estagiária, sob supervisão da redação