Edição de Hoje capa
Edições Anteriores
 
Quarta, 21 Fevereiro 2018 11:02

A Ilha das Couves e o descaso das autoridades

A água está pastosa de cosméticos, óleo dos barcos, os peixes coloridos e tartarugas que nadavam bem próximo a ilha, tornando o cenário um dos lugares mais lindos e representativos de preservação, não estão mais por lá
Mais bela e rica impossível, a Ilha das Couves, em Ubatuba, está com os dias contatos Mais bela e rica impossível, a Ilha das Couves, em Ubatuba, está com os dias contatos Gady Gonzalez
Por Patrícia Rosseto
Do Litoral Norte

Um dos lugares mais paradisíacos de Ubatuba, a Ilha das Couves, um santuário ecológico, de águas translúcidas, mata atlântica exuberante e riquíssima fauna em terra, água e mar, pode estar com seus dias contatos. Aliás, os resultados da superlotação e do turismo predatório já pipocam na Ilha e na tradicional Vila de Pescadores Picinguaba, onde, este ano, a sempre esperada pesca de lula não ocorreu. A espécie é uma das que já foram embora. As belas aves marinhas só dão uma passada por lá e, assim que encosta a primeira escuna, barco, lancha, caiaque elas se vão.

A água está pastosa de cosméticos, óleo dos barcos, os peixes coloridos e tartarugas que nadavam bem próximo a ilha, tornando o cenário um dos lugares mais lindos e representativos de preservação, não estão mais por lá.

A vida na Vila dos Pescadores, foi também de variadas formas prejudicada, inclusive em manter a sua história na atividade pesqueira artesanal e ecologicamente excelente até hoje. É um bairro pequeno de Ubatuba, assim como a Ilha das Couves é, logo, transborda de lixos, agressões a natureza de diversas ordens e, os veículos, estes param na vila até o fim da estrada de terra que liga a BR – 101 até o lugarejo.

Com isso, os ônibus circulares não conseguem entrar e sair do bairro, ilhando a maioria dos moradores, pois não possuem carros. Os turistas que costumam se hospedar nas poucas pousadas e casas de veraneio da vila, não conseguem chegar e, pior, sair da vila. Um caos total. Ambulâncias não chegam, arriscando a vida de pessoas.

Uns calhamaços de documentos estão juntados no Ministério Público Federal em Caraguatatuba, somando páginas desde 2016, quando a Ilha começou a ser frequentada além do ideal. Mas, até agora, nenhuma autoridade, como a Polícia Ambiental, o Parque Estadual (Fundação Florestal), afinal lá é área de preservação permanente (APP), ou até, a prefeitura, tomou qualquer providência, nem de fiscalização, interdição do local para se recuperar. Pelo contrário. No ano passado o turismo atravessou a temporada e percorreu o ano todo.

A situação caótica se arrasta. Muitos turistas acabam por pagar escunas e fazer uma viagem mais longa, ao chegar a Ilha das Couves não descem e a confusão se forma, afinal, ninguém paga caro para ir a um local onde toda a área da areia e água está ocupada. O comportamento dos que levam turistas até lá não é nada adequado, o dinheiro fala mais alto, levam animais domésticos, que são proibidos e quantas pessoas couberem em suas embarcações, muitas vezes além do limite, sem licenças para navegar e sem equipamentos de segurança.

Enfim, outros adoram chegar lá e encontrar o local entupido de gente, deixar seu lixo, ouvir som alto e beber. Comportamento inadequado para o local, que na verdade, deveria ser como é a Ilha Anchieta, também em Ubatuba, local para visitação e não para passar o dia fazendo todos os tipos de coisas proibidas, como churrasco na praia.

Nas redes sociais e bate papos no boteco se ouve culpar a divulgação do local, por meios de comunicação e principalmente, para os locais, o grupo do Facebook Ubatuba Sim, que conta com um número altíssimo de participantes de todo país e até fora, como culpados pela superlotação. Oras, na história do turismo, inclusive em Ubatuba, já houveram locais da moda no passado, como por exemplo, a Ilha do Prumirim, época sem o advento da internet e a alta da editoria turismo, porém da mesma forma, a superlotação aconteceu e a natureza também pagou um preço bem alto.

Recentemente uma rede de televisão veiculou reportagem onde mostravam autoridades no local organizando estacionamento, entre outras atividades para proteger o local e as pessoas, porém, após as filmagens tudo voltou ao “normal”, ou seja, o abandono e o descaso permaneceram. Antes disso, ainda foi determinado por uma promotora a abertura de uma Associação de Barqueiros no bairro. Tudo isso foi realizado, mas o primeiro a descumprir as determinações foi o estopim para o restante fazer o mesmo. Alguém fiscalizou? Puniu? Não.

Os amantes de lugares paradisíacos, aventureiros, turistas que buscam tranquilidade e respeito, deixaram de frequentar a Ilha das Couves que está à mercê do turismo predatório sem limites, sem ninguém para proteger, fiscalizar e, olha, são muitos os órgãos responsáveis pela área.

A tão famosa, lotada e extremamente urbanizada Praia Grande, na década de 70 era tão deserta que nem era possível visualizá-la da Rodovia, a mesma que hoje está a poucos metros da areia. Era coberta com jundus, vegetação protegida por Lei Federal, tinha uma bica de água. Caminhamos para isso com as mais de 100 praias e 20 ilhas de Ubatuba? A resposta é sim, enquanto não houver consciência de muitos moradores, comerciantes, turistas e principalmente enquanto as autoridades responsáveis por estes santuários jogarem a bola uma para as outras e não cumprirem seu papel, nem mesmo após papéis e mais papéis acumulados no Ministério Público com nomes, sobrenomes e cargos, responsabilizando nas linhas digitadas pessoas que nem aparecem por lá. Até quando, Ubatuba? Quantos mais outros locais serão invadidos, explorados e dizimados?

Gazeta SP

Endereço
Rua Tuim – 101 A
Moema - São Paulo - SP - CEP 04514-100.
Fone: (11) 3729-6600

Contatos
Redação - editor@gazetasp.com.br
Comercial - comercial@gazetasp.com.br

Diretor Presidente
Sergio Souza

Editorias
Brasil / Mundo / Estado / Capital / Grande São Paulo / Litoral / Vale do Ribeira / Serviços / Previdência / Variedades / Casa & Decoração / Turismo / Cinema

Colunistas
Pedro Nastri /
Nilson Regalado / Nilto Tatto/ Nilson Regalado/ Marcel Machado

Diretor Executivo
Daniel Villaça Souza

Diretor de Negócios
Paulo Villaça Souza

Diretor Comercial
Roberto Santos

Jornalista Responsável
Nely Rossany

Endereço
Rua Tuim – 101 A
Moema - São Paulo - SP - CEP 04514-100.
Fone: (11) 3729-6600

Contatos
Redação - editor@gazetasp.com.br
Comercial - comercial@gazetasp.com.br

Diretor Presidente
Sergio Souza

Diretor Executivo
Daniel Villaça Souza

Diretor Comercial
Roberto Santos

Diretor de Negócios
Paulo Villaça Souza

Jornalista Responsável
Nely Rossany

Editorias
Brasil / Mundo / Estado / Capital / Grande São Paulo / Litoral / Vale do Ribeira / Serviços / Previdência / Variedades / Casa & Decoração / Turismo / Cinema

Colunistas
Pedro Nastri /
Nilson Regalado / Nilto Tatto/ Nilson Regalado/ Marcel Machado