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Quinta, 05 Julho 2018 15:10

Claude Lanzmann, diretor do documentário 'Shoah', morre aos 92 anos

Lanzmann se consagrou como o diretor do documentário "Shoah", sobre o extermínio dos judeus na Segunda Guerra. Em 2013, ele ganhou um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim
O filme "Shoah", com quase dez horas de duração, levou quase 11 anos para ficar pronto O filme "Shoah", com quase dez horas de duração, levou quase 11 anos para ficar pronto Divulgação
Por Folhapress
De São Paulo

O cineasta e jornalista francês Claude Lanzmann morreu nesta quinta-feira (5), em Paris, aos 92 anos. Ele se consagrou como o diretor do documentário "Shoah", sobre o extermínio dos judeus na Segunda Guerra - o filme, com quase dez horas de duração, levou quase 11 anos para ficar pronto.

Em 2013, ele ganhou um Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim.

A informação foi confirmada pela família de Lanzmann à imprensa francesa.

O longa-metragem, exibido pela primeira vez em 1985 e um dos filmes mais importantes da história do documentário, traz uma série de depoimentos sobre os campos de extermínio nazistas.

O cineasta usava a palavra "shoah" em vez de holocausto para definir os crimes do nazismo, porque a segunda palavra se refere à queima de uma oferenda a deus. "Para alcançar Deus, 1,5 milhão de crianças judias foram oferecidas? O nome é importante, e na Europa não se diz 'Holocausto'. Foi uma catástrofe, um desastre, e em hebraico isso é 'shoah'", disse em certa vez em uma entrevista.

Filhos de imigrantes russos na França, Lanzmann nasceu em 1925, uniu-se à Juventude Comunista e lutou na resistência francesa contra os nazistas quando era adolescente. Como jornalista, ele sempre teve forte atuação política, assinando o Manifesto dos 121, contra as ações do governo francês na Algéria. A causa anti-colonialista também foi uma das marcas de sua trajetória.

Ele estudou filosofia na Universidade Sorbonne depois da Segunda Guerra e, mais tarde, se tornaria amante da filósofa Simone de Beauvoir. Ele fez parte do jornal Les Temps Modernes, fundado por ela e pelo filósofo Jean-Paul Sartre.

Mais tarde, terá uma carreira como professor universitário em Berlim. Depois de ler "Reflexões Sobre a Questão Judaica", ensaio de Sartre, organizou um seminário sobre o antissemitismo para seus alunos. Depois, com o desejo de denunciar a fragilidade do processo de desnazificação no meio universitário alemão, publica dois artigos em um jornal do país -e acaba deixando a carreira acadêmica.

É quando retorna à França, começa sua carreira como jornalista, que também o tornaria notório.

Em 1959, por exemplo, ele publicou um longo artigo sobre a situação do Dalai Lama no Tibet, na revista Elle. Em 1986, depois da morte de Simone de Beauvoir, ele assumiu a direção do jornal Les Temps Modernes.

Na publicação de Sartre e Beauvoir, ele vai pela primeira vez a Israel, de onde envia uma série de artigos. Nos anos 1967, logo depois da Guerra dos Seis Dias, produz uma edição especial sobre o conflito árabe-israelense.

É em 1973 que o intelectual estreia no cinema, com o filme "Por Que Israel". Um ano depois, ele já começaria a filmar "Shoah" - montado a partir de um material bruto de 350 horas de filmagens, feitas entre 1974 e 1981. A montagem do longa, considerado um dos monumentos do cinema mundial, durou quatro anos.

O filme é dividido em quatro partes: o extermínio nos caminhões de gás no campo de Chelmno, na Polônia; o campo de Treblinka; o campo de Auschwitz-Birkenau; e o extermínio dos judeus no gueto de Varsóvia.

Em 2009, ele publicou pela Gallimard o livro de memória "A Lebre da Patagônia", lançado no Brasil pela Companhia das Letras.

Em 2011, Lanzmann veio à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) e se envolveu em uma polêmica com o então curador, o jornalista, crítico literário e colunista da Folha Manuel da Costa Pinto. Na ocasião, ele lançava seu livro de memórias no país.

Em sua mesa na festa literária, o cineasta recusou perguntas do mediador que não tivessem a ver com o livro - rejeitando inclusive falar sobre "Shoah". Lanzmann chegou a ameaçar se retirar do debate. No domingo seguinte, o curador chegou a comparar a atitude do cineasta a uma postura nazista.

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