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Quarta, 11 Abril 2018 12:45

Prisão de líder das Farc por narcotráfico ameaça acordo de paz

A investigação começou com escutas telefônicas de traficantes do cartel mexicano de Sinaloa que buscavam cocaína na Colômbia. Santrich surpreendeu ao aparecer nas conversas ao lado de três ex-guerrilheiros
Santrich foi escolhido na última eleição legislativa como um dos deputados das Farc Santrich foi escolhido na última eleição legislativa como um dos deputados das Farc Divulgação
Por Estadão Conteúdo
De São Paulo

Jesús Santrich, um dos líderes das Farc, foi preso nesta terça-feira, 10, por tentar distribuir 10 toneladas de cocaína nos EUA. Se for extraditado, ele pode ser condenado a prisão perpétua. A investigação começou com escutas telefônicas de traficantes do cartel mexicano de Sinaloa que buscavam cocaína na Colômbia. Santrich surpreendeu ao aparecer nas conversas ao lado de três ex-guerrilheiros - Fabio Arboleda, Marlén Marín e Armando Moreno - todos presos. 

Em seguida, Santrich foi flagrado oferecendo amostra de cocaína aos mexicanos, como prova de qualidade. A prisão foi realizada depois que a Interpol emitiu uma ordem de captura, a pedido dos EUA. O presidente Juan Manuel Santos afirmou que "há provas contundentes" contra Santrich. A prisão, porém, ameaça o acordo de paz. 

Iván Márquez, número 2 das Farc, chamou o caso de "armação". Alguns ex-guerrilheiros suspenderam a reintegração à vida civil até que o caso seja esclarecido.

Jhon Jairo Velásquez, o "Popeye", ex-pistoleiro de Pablo Escobar, disse nesta terça que a droga sairia pela Venezuela e acusou o presidente Nicolás Maduro de ser o chefe do narcotráfico venezuelano. "Santrich foi capturado e vai delatar Maduro", disse Popeye no Twitter.

Santrich é o pseudônimo de Seuxis Pauxias Solarte. Ele adotou o nome quando entrou para as Farc, em 1991, depois que seu melhor amigo, Jesús Santrich, foi assassinado por agentes da DAS (serviço de inteligência da Colômbia). 

Santrich foi escolhido na última eleição legislativa como um dos deputados das Farc, que têm uma cota de dez parlamentares destinada ao partido de mesmo nome fundado pela guerrilha. O acordo proíbe extradição de guerrilheiros por atos cometidos até dezembro de 2016. Os EUA sustentam que as ações ocorreram entre junho de 2017 e abril deste ano. Fonte: Associated Press.

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