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Quinta, 10 Dezembro 2015 16:53

Zika vírus: perguntas e respostas

O mosquito Aedes aegypti pode ser portador e transmissor de diferentes vírus  O mosquito Aedes aegypti pode ser portador e transmissor de diferentes vírus  (Foto: Divulgação)

O mosquito Aedes aegypti pode ser portador e transmissor de diferentes vírus, como os da dengue, febre chikungunya, febre zika e febre amarela

 O maior surto de doença causada pela picada do mosquito Aedes aegypti é o da dengue, seguido por chikungunya e zika vírus, sendo este último o grande protagonista da atualidade, pois tem sido associado ao desenvolvimento de microcefalia.

 1 - O que é o Zika vírus?

O vírus Zika (ZIKV) é um microorganismo de origem africana, isolado pela primeira vez em primatas não humanos em Uganda, na floresta Zika em 1947, por esse motivo esta denominação. É um vírus da família Flaviviridae, o mesmo da dengue e da febre amarela. Ele é responsável por uma doença chamada febre zika, que apresenta sinais e sintomas similares aos da dengue.

2 - Como se contrai a doença?

A principal forma de contágio dá-se pelo mosquito que, após picar alguém contaminado, pode transportar o vírus durante toda a sua vida, contaminado assim pessoas saudáveis. No entanto, já foi descrita a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

3 - Quais são os sintomas e o prognóstico da doença?

Os sinais clínicos da infecção pelo zika vírus são semelhantes aos da dengue e podem ser diagnosticados erroneamente em regiões onde a dengue é prevalente. Os principais sintomas incluem febre, dor muscular, manchas vermelhas, dores nas juntas, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, conjuntivite e vômitos. Estes sintomas geralmente são amenos e costumam durar até uma semana.

De acordo com dados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), apenas uma em cada cinco pessoas infectadas pelo ZIKV apresentará sinais clínicos da doença. A infecção por zika vírus raramente tende a complicações severas, porém em alguns casos pode haver evolução para quadros mais graves.

4 - Quais são as maiores complicações que o paciente pode desenvolver?

Até pouco tempo atrás, a febre zika vinha sendo considerada uma doença benigna e nenhuma morte havia sido relatada. Entretanto, já foram registradas mortes e complicações mais graves por zika vírus; além de um bebê cearense, outros dois óbitos relacionados ao vírus foram confirmados pelo governo brasileiro. A infecção por ZIKV no primeiro trimestre de gravidez tem sido associada ao desenvolvimento de microcefalia no feto. Também está em investigação uma possível associação entre este vírus e o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que causa paralisia muscular. No entanto, estudos estão sendo conduzidos para testar estas hipóteses.

Além disso, no final de 2013, houve um surto de zika na Polinésia Francesa, onde mais de 10 mil casos foram diagnosticados. Deste total, cerca de 70 evoluíram para um estado grave. Esses pacientes desenvolveram complicações neurológicas, como meningoencefalite, doenças autoimunes e leucopenia (redução do nível de leucócitos no sangue).

5 - O que fazer quando estiver com sintomas?

Diante dos primeiros sintomas, é imprescindível buscar por ajuda médica e não realizar automedicação, pois o uso incorreto de certos fármacos pode piorar a condição e até mesmo colocar a vida em risco. Recomenda-se repousar e beber bastante líquido para prevenir a desidratação. É importante também realizar aprevenção, combatendo os focos do mosquito.

6 - Quais são os exames disponíveis para a detecção do Zika vírus?

O diagnóstico de zika vírus é baseado primariamente na detecção do RNA viral em amostras biológicas.  A detecção de ácido nucleico do zika vírus por RT-PCR pode ser realizada em amostras de sangue, plasma, urina, líquor ou líquido amniótico.

Anticorpos IgG e IgM específicos para ZIKV podem ser detectados por meio das técnicas de ELISA e imunofluorescência em amostras de soro, geralmente a partir do quinto ou sexto dia após o aparecimento dos sintomas. A interpretação dos resultados sorológicos deve ser realizada com muito cuidado, pois foi reportada uma reatividade cruzada com IgM contra o vírus da dengue em pacientes com infecção por zika vírus ou outras infecções por flavivírus.

7 - Qual é o tratamento? Existe vacina?

Atualmente, não há vacina ou qualquer outro medicamento específico contra ZIKV.Os sintomas podem ser tratados com o uso de analgésicos e antitérmicos, como paracetamol ou dipirona, para controle da dor e da febre.Deve-se evitar o uso de ácido acetilsalicílico (aspirina) devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas.

8 - Quais são os países afetados?

Os países que apresentam casos de zika vírus estão localizados basicamente na África, América Latina, Ásia e Oceania (ilhas do Pacífico).

No Brasil, de acordo com dados divulgados pelo LIRAa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti) em novembro de 2015, foram reportados casos de zika em 18 estados até agora: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

9 – Houve surtos em outros países no passado?

A primeira epidemia documentada de zika vírus no Pacífico Sul ocorreu na Ilha de Yap, nos Estados Federados da Micronésia, em 2007. Este surto afetou 180 pessoas (casos confirmados, prováveis e suspeitos).

Em outubro de 2013, a Polinésia Francesa reportou sua primeira epidemia, que afetou aproximadamente 11% da sua população. Esta epidemia em particular espalhou-se a outras ilhas do Pacífico, como Nova Caledônia, Ilhas Cook e Ilha de Páscoa. No entanto, como muitos casos de infecção pelo zika vírus apresentam sintomas semelhantes a outras infecções virais, é possível que muitos casos não tenham sido identificados.

10 -Existe alguma forma de prevenir-se da doença?

Como a principal forma de transmissão desta doença ocorre através da picada de mosquitos do gênero Aedes, o meio mais eficaz de prevenir novos casos é evitar sua proliferação. Evite o acúmulo de água parada, não deixe que a água da chuva se acumule, coloque areia em vasos de plantas. Faça a limpeza com frequência em piscinas e calhas. Sugere-se também a instalação de redes de proteção nas portas e janelas da residência e o uso continuo de repelentes.

11 - Como denunciar um provável foco?

Quando o foco do mosquito é detectado e não pode ser eliminado pelos moradores de um determinado local, o mais indicado é acionar os órgãos competentes, como por exemplo a Secretaria Municipal de Saúde.

O Ministério da Saúde recomenda que o profissional ou o serviço de saúde notifique os casos confirmados de zika vírus em até 24 horas.

 

 

Fonte (s): Fabiana Amoroso, Taccyanna Ali, Silvia Boschi (Equipe de suporte a laboratórios LabcoNoûs-Brasil).

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