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Quinta, 26 Novembro 2015 16:21

Cisticercose: uma ameaça devida à precariedade nas condições de higiene e saneamento básico eficaz

A Taenia solium é o parasita responsável pelo desenvolvimento da cisticercose, uma doença causada pela ingestão acidental dos ovos da Tênia adulta liberados em água, alimentos e solo contaminado

A cisticercose é uma parasitose, muito comum em países em desenvolvimento devido à precariedade das condições de saneamento básico. A doença é causada pela ingestão de alimentos e água contaminados com ovos da tênia adulta.  

Após três dias da ingestão dos ovos da tênia, eles se transformam em larvas, alcançando a corrente sanguínea e podem se alojar no músculo, globo ocular, cérebro, coração, dando origem a cistos que desenvolvem um processo de inflamação e inchaço devida a infecção.

Importante ressaltar que também pode ocorrer “autoinfecção”, ou seja, um indivíduo já infectado com a tênia adulta pode se infectar com os ovos ao não lavar bem as mãos após evacuar e desta forma também transmitir a doença aos familiares.

Fatores de risco

Ingestão de alimentos e água contaminados por ovos da tênia.

A presença da doença também está relacionada a situações onde há criação de porcos em condições precárias (ruas e lixões).  

Sintomas

As características dos sintomas dependem do local da infecção, assim como a gravidade da doença.

Muitas vezes, o parasita se hospeda nos músculos e não apresenta sintomas e danos graves à saúde, porém às vezes poderá causar algum tipo de protuberância embaixo da pele.

Nos olhos a acuidade visual pode ser prejudicada, sendo que, em alguns casos pode levar à cegueira ou perda parcial da visão.

Já os sintomas no coração e coluna vertebral, são mais raros.

Quando a cisticercose está localizada no cérebro, pode apresentar sintomas como convulsões, dor de cabeça, confusão mental e, em casos graves, levar o paciente ao óbito.

Complicações mais graves

Insuficiência e alterações no ritmo cardíaco, cegueira, hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro) e convulsões.

Diagnóstico

A solicitação de uma amostra de sangue para detectar anticorpos contra o parasita é muito usual, assim como de uma amostra líquido cefalorraquidiano. Biópsia e punções de áreas afetadas também são usadas para pesquisa do parasita. Quando a infecção afeta os olhos, em consulta médica (oftalmologista) pode ser realizado exame de fundo de olho.

Exames de imagens como tomografia computadorizada, ressonância magnética e radiografia são utilizados para detectar lesões.

Devido ao fator da “autoinfecção” é importante que ao ser diagnosticada a cisticercose, sejam também realizados exames para Teníase, que é a presença da Taenia solium adulta no intestino, responsável pela liberação dos ovos nas fezes. Assim, é importante também a realização de exames em membros da família.

 

 

Tratamento

Dependendo da localização dos cisticercos, assim como do estado de saúde do paciente, poderá haver variação na escolha do tratamento.

Em geral se pode usar medicamentos para eliminar o parasita (albendazol ou paraziquantel). O uso de esteroides também é recomendável quando a infecção afeta os olhos ou o cérebro, assim como, o uso de outros anti-inflamatórios.

O uso de anticonvulsivos poderá ser administrado na presença de cisticercos no cérebro.

E em alguns casos, são necessários procedimento cirúrgicos para remover áreas infectadas.

Prognóstico

Na maioria dos casos quando é realizado o diagnóstico, o prognóstico é favorável.

As complicações são raras, se não forem tratadas e se limitam a situações de cegueira, dano cerebral e insuficiência cardíaca.

Prevenção

O saneamento básico e a higiene pessoal são um dos principais fatores a serem controlados.

Lavar bem os alimentos, cuidados ao se alimentar em ambientes externos, não ingerir alimentos crus ou mal cozidos, lavar bem frutas e verduras.  Lavar bem as mãos após ir ao banheiro, assim como a educação das crianças para desenvolvimento de bons hábitos de higiene são de extrema importância.

O aumento da incidência de casos de cisticercoses na população é graças aos avanços dos métodos de diagnóstico e o maior acesso aos mesmos. O ponto crucial da contaminação está nas fezes humanas pois, muitas vezes o indivíduo portador de Teníase evacua em lugares inadequados e sem higienização controlada.

Nas grandes cidades não estamos livres do problema, os grandes centros estão rodeados de periferias onde o saneamento básico é precário, com esgoto a céu aberto, fossas sendo despejadas diretamente em rios, córregos, ausência de coleta de lixo entre outros.

As fezes ressecadas pelo sol com a presença de ovos, podem se propagar facilmente a grandes distâncias. Desta forma, os ovos se tornam mais leves sendo transportados de um lugar a outro, assim contaminado rios, hortas, plantações, campos, depósitos e alimentos.

Aves, moscas, formigas e outros tipos de insetos também podem transportar esses ovos, contaminando os alimentos.

Ao viajar para países em desenvolvimento, é indicado ter alguns cuidados, como beber somente água engarrafada e não comer alimentos quando houver desconfiança que não foram preparados em condições adequadas de higiene.

Sendo um problema de saúde pública e com base na falta de higiene humana, a conscientização, educação e reinvindicação por melhorias continuas no saneamento básico, são a única forma de combater não somente a cisticercose, como também uma grande diversidade de doenças e infortúnios que acometem o homem.

 

Fonte (s): CDC, NIH, OMS 

 

 

 

 

 

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