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Sexta, 11 Maio 2018 16:41

Juiz afasta vice em Mongaguá e áudios detalham esquema

Após prisão do prefeito e afastamento do vice, o presidente da Câmara, Rodrigo Biagioni, é quem assume a prefeitura agora
Aúdios revelam esquema de corrupção na cidade de Mauá, onde prefeito foi preso e vice foi afastado por suspeita de envolvimento em esquema de fraude em licitação Aúdios revelam esquema de corrupção na cidade de Mauá, onde prefeito foi preso e vice foi afastado por suspeita de envolvimento em esquema de fraude em licitação Arquivo/DL
Da Reportagem
De São Paulo

O juiz da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Alessandro Diaferia, afastou do cargo o vice-prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça (PSDB), por suposto envolvimento nos crimes investigados pela operação Prato Feito, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira. O prefeito da cidade, Arthur Prócida (PSDB), foi preso flagrado pela Polícia Federal com R$ 5,3 milhões guardados em casa na mesma operação.

Na tarde de quinta-feira, o advogado do prefeito, Eugênio Malavassi, tentou a liberdade de Prócida durante audiência de custódia na Justiça Federal, em São Paulo. Porém como o prefeito tem foro privilegiado caberá ao Tribunal Regional Federal (TRF) decidir pela prisão preventiva ou soltura dele. O presidente da Câmara de Vereadores, Rodrigo Cardoso Biagioni (PSDB), assumiu o comando da cidade na última sexta-feira. 

Além do prefeito e vice, outro servidor público da cidade, o diretor do departamento de compras, Flávio Eleandro Santana Passos, é citado na investigação e foi afastado de suas funções. Também são citados, ao lado do prefeito, os lobistas Carlinhos e Isaías Cariranha, na denúncia que identificou 65 contratos suspeitos de irregularidades, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bilhão. Os acusados são investigados por corrupção ativa (Carlinhos e Isaías) e corrupção passiva (Carlinhos, Artur, Flávio e Márcio Cabeça). Prócida foi preso por lavagem de dinheiro após a descoberta de R$ 4,6 milhões e US$ 216,7 em sua casa.

De acordo com o relatório parcial da Operação Prato Feito, durante a primeira gestão de Artur Prócida houve a contratação das empresas Unimesc e Acolari, pertencentes ao núcleo de Carlinhos (dirigente de uma das três organizações criminosas identificadas), em diversas licitações para fornecimento de uniforme escolar. No total, foram aproximadamente R$ 5,5 milhões pagos anualmente (2015 e 2016) somente com verbas federais.

O lobista Carlinhos também teria entregado, mediante solicitação de Flávio Eleandro, vantagem indevida a partir de transferências bancárias tendo com destinatário Prócida. O objetivo seria obter um futuro contrato público ou fraudar a execução de contratos em andamento.

Áudios

Em telefonema de setembro de 2016 interceptado pela investigação, Carlinhos combina com Flávio Eleandro que faria a transferência dos valores de uma suposta propina, o que Flávio lhe pede para mandar na conta antiga, no primeiro endereço, demonstrando assim que não era a primeira vez que a vantagem indevida estava sendo depositada (conforme a reprodução 1). Dias depois foi identificada uma transferência de R$ 5 mil de Carlinhos na conta da irmã do diretor do departamento de compras (conforme a reprodução 2).

No mesmo áudio, o servidor declara que agendará uma reunião com Márcio Cabeça, então vice-prefeito de Mongaguá, possivelmente para tratar de ajustes acerca de contratos em andamento ou de futuras contratações.

No dia 26 de setembro de 2016, Carlinhos pergunta ao lobista Isaías Cariranha (que atua junto às prefeituras paulistas) se tem interesse em oferecer vantagem ilícita ao prefeito Artur, candidato que liderava as pesquisas eleitorais na época e que garantiria um “projeto” (futuro contrato público) após a reeleição (conforme a reprodução 3).

O prefeito estaria pedindo R$ 20 mil como “sinal” para continuar com o esquema ilícito na cidade, utilizando o código “20 kits”. A forma de pagamento da propina seria baseada em um percentual do contrato.

Três dias depois da ligação, Carlinhos conversa novamente com Isaías destacando que o “pessoal de Mongaguá” teria solicitado mais dinheiro para ser usado em boca de urna nas eleições daquele ano.  No dia 2 de outubro, durante a apuração das eleições, o lobista Eládio Magurno (parceiro de Carlinhos) demonstra entusiasmo durante uma ligação a um interlocutor não identificado, ao comentar que o candidato a quem estavam “ajudando” ganhou.

Juiz afasta vice em Mongaguá e áudiosReprodução 1

 

Juiz afasta vice em Mongaguá e áudios 3Reprodução 2

 

Juiz afasta vice em Mongaguá e áudios 4Reprodução 3

 

*Matéria com colaboração do Diário do Litoral

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