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Sábado, 21 Outubro 2017 18:55

Caro, demorado e ineficaz: transporte público que liga o Litoral Sul é deficiente

A Reportagem acompanhou a ‘romaria do transporte público’, um empecilho considerável para a pessoa que precisa se deslocar entre Peruíbe e as demais cidades da região
Duas linhas fazem o trajeto com o menor custo entre o Litoral Sul e as demais cidades Duas linhas fazem o trajeto com o menor custo entre o Litoral Sul e as demais cidades Rodrigo Montaldi/DL
Por Rafaella Martinez
De Santos

A região é metropolitana, mas quem precisa ir de um extremo a outro da Baixada Santista esbarra em problemas que fogem à lógica de uma área interligada.  Em julho, o Diário já havia abordado os problemas de desemprego enfrentados por moradores do Litoral Sul. Dessa vez, a reportagem acompanhou a ‘romaria do transporte público’, um empecilho considerável para a pessoa que precisa se deslocar diariamente entre Peruíbe e cidades como Praia Grande, São Vicente e Santos, onde estão as maiores ofertas de emprego na região. O desgaste faz com muitas pessoas, mesmo em período de crise econômica, cogitem abandonar seus postos de trabalho.

Atualmente, duas linhas fazem o trajeto com o menor custo  entre o Litoral Sul e as demais cidades da região: a 905 TRO (que liga Peruíbe a São Vicente, com tarifa para o total do percurso de R$12,25) e a 955 TRO (que liga Peruíbe a Praia Grande, com tarifa total de R$ 9,25). No final de agosto a situação ficou ainda mais complicada para quem precisa fazer o trajeto de transporte público. Isso porque a EMTU alterou o itinerário de uma das linhas (905EX1 que passou a ser 955TRO) sem aviso prévio, o que culminou com o aumento no tempo de deslocamento do ônibus intermunicipal que faz o trajeto até o Terminal Tático, em Praia Grande.

“Trabalho em Itanhaém e a mudança atrapalhou demais. O ônibus seguia pela pista e agora pega a marginal da Avenida Monteiro Lobato, em Mongaguá. Por conta disso precisei readequar meus horários – que não são fixos – para estar no ponto com duas horas de antecedência, no mínimo, pois sei que o ônibus vai demorar”, destacou a recepcionista Rebeca Araújo, que gasta diariamente R$8,80 de condução entre as vizinhas Peruíbe e Itanhaém.

De acordo com ela, a alteração foi comunicada com apenas um dia de antecedência, a partir da colagem de um aviso nos ônibus da linha, sem tempo hábil de programação por parte dos usuários ou consulta sobre a mudança.

Para a estudante Michele Santos, além de acrescentar quase uma hora no trajeto, a mudança também deixou a viagem mais perigosa. “Passamos do lado do morro, em uma rua cheia de buracos. Para piorar, quando chove o local fica completamente alagado. A mudança prejudicou todo mundo”, destaca.

Reclamação

Morador de Peruíbe, Gabriel Alves de Queiroz protocolou uma reclamação na ouvidoria da EMTU questionando a mudança. “Mongaguá tem a menor população residente da Baixada Santista. Se essa nova linha tivesse de passar em alguma Marginal, isso deveria acontecer na cidade de Itanhaém, que possui bairros populosos mais afastados da Rodovia. Quem utiliza a linha agora precisa ficar a mercê dos contratempos da Marginal em Mongaguá e perderão de 10 a 20 minutos para chegar a Praia Grande e, daí, perder mais tempo para chegar a São Vicente e Santos”, diz.

A reclamação é a mesma de Ednéia Carvalho, que frequentemente faz o trajeto ‘Peruíbe/Santos’. Embora possua residência em Praia Grande, a segurança passa a maior parte da semana em Peruíbe, ao lado da família.

“Como trabalho em Santos, tenho que pegar o ônibus 13h30 para conseguir chegar tranquila às 18h no serviço. Pago R$9,25 na linha 955TRO, desço em Praia Grande e pego outra condução por R$4,40 até o Canal 3, onde trabalho. Quando a linha 926  da Intersul estava ativa era melhor, pois ele ia mais rápido eu já descia em Santos. Agora nenhum ônibus da Piracicabana faz esse trajeto completo. Os da Breda continuam fazendo, mas os valores são absurdos”, reclama.

A linha citada pela segurança foi desativada em janeiro do ano passado. Na ocasião, a EMTU destacou que a desativação ocorreu pelo circular apresentar graves deficiências na operação, o que implicou em diversas autuações por parte do órgão.

Deficiências

A aposentada Neide Martins, de 86 anos, também sente na pele os problemas decorrentes do fato de ter apenas duas linhas de ônibus interligando as cidades da região. Moradora de Itanhaém, na semana passada ela precisou gastar R$80 com um táxi para não perder uma consulta que tinha em Peruíbe.

“Esperei por quase duas horas e o ônibus não passou. Onde moro eu só consigo pegar o 905 perto da pista. É muito ruim ficar esperando debaixo do sol e a condução não passar. É uma falta de respeito, isso porque estava indo para Peruíbe que é ‘perto’. Quando precisamos ir para Santos é uma batalha sem fim”, reclama.

Em nota, a EMTU destacou que a mudança de itinerário da linha 955 TRO no trecho urbano de Mongaguá ocorreu por solicitações dos bairros Agenor de Campos, Balneário Flórida Mirim, Jussara, Itaóca, Nossa Senhora de Fátima e Vera Cruz, que margeiam a rodovia Padre Manoel da Nóbrega.

O antigo trajeto da linha 955 obrigava os usuários a atravessar a rodovia pelas passarelas existentes e muitos moradores optavam por cruzar a pista correndo o risco de atropelamentos.

A alteração padronizou o itinerário com a linha 905TRO no trecho da avenida Santos Dumont, possibilitando o aumento da oferta de lugares naquela via e criando para o usuário a opção de escolha do Terminal Tatico, em Praia Grande.

A empresa disse ainda que com o encerramento da operação da linha 926, a demanda foi acomodada nas linhas comuns com a opção de integração às demais linhas intermunicipais no Terminal Tatico. Nesse caso, as opções de destino aumentaram e os valores das tarifas permaneceram iguais para os deslocamentos realizados anteriormente.

A EMTU acrescenta que está monitorando os atuais tempos de percurso da linha 955TRO e, caso haja necessidade, serão realizados ajustes.  Outras linhas, de uma segunda empresa de ônibus, fazem o trajeto citado nesta reportagem. No entanto, as passagens são mais caras: custam  a partir de R$25,90.

Agem busca soluções para mobilidade urbana na região

Após debater ações integradas para solucionar problemas nas áreas da saúde, geração de emprego, segurança (estas duas, em andamento) e habitação, o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) irá discutir os problemas e as soluções para o segmento de mobilidade urbana. O debate deve ter início neste mês.

Durante uma das primeiras reuniões do Condesb do ano, o presidente Alberto Mourão destacou a urgência em se discutir o assunto. “O longe é perto se você se desloca em um tempo razoável. O longe é perto quando você não tem um alto custo de mobilidade e não paga R$30 em uma condução para vim dos extremos de uma região metropolitana, passando assim a ser um cidadão de quinta categoria. Você está lá no extremo de Peruíbe e vai gastar R$ 25 de seletivo para chegar em Santos e não vai conseguir emprego dessa forma. Precisamos equacionar a mobilidade regional, o que é visto com bons olhos pelo setor produtivo”, destacou.

A questão da mobilidade urbana e da urgência da integração dos diferentes modais de transportes foi destacada em todas as nove audiências públicas promovidas, em agosto, para debater o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), uma exigência da lei federal 13.089/2015, que institui o Estatuto da Metrópole.

Os moradores de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, Bertioga e Cubatão foram os que mais reivindicaram a expansão o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a criação de corredor exclusivo de ônibus, a reativação dos ramais ferroviários e a criação de trajetos por hidrovias.

Tais necessidades já haviam sido apontadas no Plano Metropolitano de Desenvolvimento Estratégico (PMDE-BS), concluído pela Agem em 2014, e deveriam ser abordadas no Plano de Mobilidade, previsto pela Agem, mas que está paralisado, em razão da contenção de despesas adotada pelo governo do Estado.

Em nota, a Agem destacou que está trabalhando firmemente na elaboração do PDUI que, como determina o Estatuto da Metrópole, deverá ser aprovado pela Assembleia Legislativa, ou seja, terá força de lei. Todas as questões (sugestões e críticas) registradas nas audiências públicas estão sendo tabuladas e serão debatidas novamente com a sociedade civil.

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