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Sábado, 12 Agosto 2017 22:13

Tentativas de golpe atingem familiares de pacientes

tensão. “Nos primeiros minutos eu cheguei a acreditar”, afirma servidor estadual que recebeu ligação de golpista
A Santa Casa colocou cartazes no hospital frisando que não faz contato telefônico solicitando transações bancárias para pagamentos de serviços prestados a pacientes A Santa Casa colocou cartazes no hospital frisando que não faz contato telefônico solicitando transações bancárias para pagamentos de serviços prestados a pacientes Matheus Tagé/DL
Por Gilmar Alves Jr.

Um servidor federal e um servidor estadual passaram por situações semelhantes ao serem alvos de golpistas que se passam por médicos para exigir, por telefone, quantias de familiares de pacientes internados em Santos diante de “agravamentos nos quadros clínicos”. As tentativas de golpe ocorreram em 26 e 27 de julho e intrigam ambos sobre como seus telefones celulares chegaram ao conhecimento dos estelionatários. Ambos dizem acreditar que houve vazamento de funcionários das unidades de saúde. Eles são amigos e tomaram conhecimento que foram alvos do mesmo tipo de delito durante uma conversa na Santa Casa de Santos.

O servidor estadual, que preferiu não ter seu nome divulgado, recebeu a ligação quando estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vitória, na Vila Belmiro, onde a mãe se recuperava de uma cirurgia no cérebro. O telefonema foi no dia seguinte à operação e ele afirmou que chegou a acreditar que o interlocutor era um médico da unidade, pois trazia riqueza de detalhes ao especificar a cobrança.

O golpista exigiu um depósito de R$ 3.800,00 ao listar a necessidade de exames, sustentando que o plano de saúde da paciente não cobria os procedimentos.

“Nos primeiros minutos eu cheguei a acreditar”, relatou.

O servidor combinou de se encontrar com o interlocutor na porta do hospital, na Rua Monsenhor Paula Rodrigues, e percebeu que se tratava de uma tentativa de golpe ao saber na recepção que esse tipo de cobrança não é realizada daquela maneira. O golpista não apareceu e bloqueou o telefone do servidor. Porém, logo depois, entrou em contato com o irmão e a irmã do servidor para tentar obter o depósito, mas não conseguiu porque ambos já tinham sido avisados sobre a tentativa de golpe.

“O hospital é muito bom, mas algum funcionário deve ter passado (os telefones)”, afirma o servidor.

O servidor federal Tennison Oliveira Rocha, de 37 anos, estava na Santa Casa de Santos quando recebeu a ligação de um golpista que se passou por um médico da unidade e exigiu R$ 4.800,00 para a remoção da avó dele, que se recuperava de um infarto.

Como Rocha sabia que a avó estava em um quarto do hospital e apresentava quadro de melhora, ele logo percebeu que se tratava de um golpe. Chamou a atenção do servidor que seu nome e seu telefone foram os únicos colocados na guia de internação quando ela deu entrada na unidade no dia 25.

“Não é coincidência. Por que não ligaram para o meu pai, por que não ligaram para o telefone de casa?”, indaga.

Rocha diz que recebeu suporte do hospital diante da tentativa de golpe e ressaltou que com relação atendimento clínico não tem nenhuma queixa­.

Procurado pelo Diário do Litoral, o 2º Distrito Policial de Santos (Jabaquara), cuja área de circunscrição abrange os dois hospitais, informou que há investigação em andamento para a identificação dos autores deste tipo de golpe.

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro resultou na prisão de uma quadrilha que atuava neste tipo de golpe dentro de um presídio em Rondonópolis, no Mato Grosso. Os criminosos chegavam a lucrar mais de R$ 200 mil por mês.

 

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