Edição de Hoje capa
Edições Anteriores
 
Sábado, 10 Março 2018 13:39

Fórum de São Paulo discute a suposta morte da OMC

A agenda do Fórum já estava definida antes de Trump lançar o que Martin Wolf, principal colunista econômico do Financial Times, define como o possível "começo do fim do sistema multilateral de comércio baseado em regras, sistema que os próprios EUA criaram".
Por Folhapress

Trombeteia Edward Alden, pesquisador-sênior do Council on Foreign Relations: "Dia 8 de março de 2018 - o dia em que a OMC [Organização Mundial do Comércio] morreu". É uma alusão ao dia em que o presidente americano, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre o aço importado e de 10% sobre o alumínio.

É mera coincidência, mas, cinco dias depois, começa em São Paulo a versão latino-americana do Fórum Econômico Mundial, que, exatamente pela iniciativa de Trump, acabará monopolizado pela discussão em torno do atestado de óbito que Alden emitiu.

A agenda do Fórum já estava definida antes de Trump lançar o que Martin Wolf, principal colunista econômico do Financial Times, define como o possível "começo do fim do sistema multilateral de comércio baseado em regras, sistema que os próprios EUA criaram".

Mas a coincidência de data entre os dois eventos tornou inevitável que a perspectiva de uma guerra comercial se tornasse o principal assunto do fórum. Reforça essa hipótese o fato de que um dos principais debatedores será Roberto Azevêdo, o diplomata brasileiro que chefia a supostamente morta OMC.

Azevêdo embarcou na sexta-feira (9) em Genebra, com destino a São Paulo, convencido de que a organização que comanda sobreviverá ao tumulto gerado pelo presidente americano.
Mas a reportagem apurou com delegações sediadas em Genebra que o sentimento predominante na organização é o de que Trump está praticando bullying. Só há duas reações possíveis a ele: abaixar a cabeça e aceitá-lo, o que geralmente leva a novas investidas. Ou reagir, o que pode de fato provocar uma guerra comercial.

REAÇÃO

A disposição da União Europeia, a delegação mais enfurecida com as medidas de Trump, é a de reagir. O embaixador da UE no Brasil, João Cravinho, menciona como possível contrapartida adotar o mesmo critério que ele vê na iniciativa do presidente americano: tentar acertar os interesses eleitorais dos republicanos.

Para Cravinho, Trump decidiu impor sobretaxas para beneficiar um estado como a Pensilvânia, no qual a indústria do aço é muito forte e no qual os republicanos esperam vencer as eleições parlamentares deste ano.
A partir dessa lógica, a União Europeia poderia impor restrições às importações de motocicletas Harley-Davidson, cuja fábrica fica em Wisconsin, o estado do líder republicano na Câmara, Paul Ryan.
Também vetaria a importação de bourbon, o que afetaria o estado de Kentucky, feudo de Mitch McConnell, líder republicano no Senado.

Quando a lógica eleitoral predomina sobre a lógica econômico comercial, qualquer avaliação sobre perspectivas fica prejudicada, o que impõe a necessidade de debater o tema.

LEGITIMIDADE
Antes mesmo da iniciativa de Trump, a agenda do Fórum regional da América Latina já dizia que "a legitimidade do presente sistema global de comércio, com a OMC como seu núcleo, está no centro das atenções".
Também estava na agenda a seguinte pergunta: "Se as relações internacionais estão se afastando da colaboração por meio de um sistema baseado em regras para dirigir-se a uma competição baseada em acordos bilaterais, é o momento de a região [a América Latina] repensar suas alianças?".

De certa forma, o bloco mais importante da região, o Mercosul, já deu uma resposta parcial na sexta-feira: reunidos com o Canadá, seus ministros decidiram lançar negociações para um acordo de livre-comércio abrangente entre as partes.

A primeira rodada de negociações ocorre dia 19, quatro dias após o encerramento da vertente regional do Fórum Econômico Mundial.
Comércio não será, no entanto, o único tema do fórum latino-americano. É óbvio que em um ano recheado de eleições na região o encontro de São Paulo discutirá "como o ciclo de eleições na América Latina reconfigurará a dinâmica de poder nacional e regional".

A sessão a respeito inclui debater a credibilidade das instituições democráticas, bastante questionadas em toda a região, e "a nova geração de líderes políticos".
O problema, nesse quesito, será descobrir essa nova geração. Os presumíveis candidatos presidenciais que passarão pelo Hotel Grand Hyatt, sede do encontro, são políticos veteranos: o presidente Michel Temer, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

O único mais novo, mas já bastante polêmico, é o prefeito de São Paulo, João Doria, até agora mais citado para concorrer ao governo paulista do que à Presidência.

Gazeta SP

Endereço
Rua Tuim – 101 A
Moema - São Paulo - SP - CEP 04514-100.
Fone: (11) 3729-6600

Contatos
Redação - editor@gazetasp.com.br
Comercial - comercial@gazetasp.com.br

Diretor Presidente
Sergio Souza

Editorias
Brasil / Mundo / Estado / Capital / Grande São Paulo / Litoral / Vale do Ribeira / Serviços / Previdência / Variedades / Casa & Decoração / Turismo / Cinema

Colunistas
Pedro Nastri /
Nilson Regalado / Nilto Tatto/ Nilson Regalado/ Marcel Machado

Diretor Executivo
Daniel Villaça Souza

Diretor de Negócios
Paulo Villaça Souza

Diretor Comercial
Roberto Santos

Jornalista Responsável
Nely Rossany

Endereço
Rua Tuim – 101 A
Moema - São Paulo - SP - CEP 04514-100.
Fone: (11) 3729-6600

Contatos
Redação - editor@gazetasp.com.br
Comercial - comercial@gazetasp.com.br

Diretor Presidente
Sergio Souza

Diretor Executivo
Daniel Villaça Souza

Diretor Comercial
Roberto Santos

Diretor de Negócios
Paulo Villaça Souza

Jornalista Responsável
Nely Rossany

Editorias
Brasil / Mundo / Estado / Capital / Grande São Paulo / Litoral / Vale do Ribeira / Serviços / Previdência / Variedades / Casa & Decoração / Turismo / Cinema

Colunistas
Pedro Nastri /
Nilson Regalado / Nilto Tatto/ Nilson Regalado/ Marcel Machado