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Quarta, 07 Fevereiro 2018 17:10

Concessionária não indica serviços na via de pedágio mais caro do país

A Gazeta conferiu o atendimento oferecido aos usuários do Sistema Anchieta-Imigrantes na véspera da descida para o Carnaval
Usuários não têm refúgios exclusivos, mas podem utilizar as bases operacionais da concessionária, como no km 28 sentido litoral da Imigrantes Usuários não têm refúgios exclusivos, mas podem utilizar as bases operacionais da concessionária, como no km 28 sentido litoral da Imigrantes Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo
Por Marcelo Tomaz
De São Paulo

O Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) é a principal ligação entre a região metropolitana e o litoral de São Paulo e deve receber entre 300 e 500 mil carros durante o período de Carnaval. Antes do feriado a reportagem da Gazeta desceu a serra para conferir a qualidade do serviço administrado pela Ecovias, que conta com o pedágio mais caro do país: R$ 25,60.

Os postos de serviços muitas vezes passam despercebidos pela falta de sinalização, mas os usuários que precisam de apoio durante a viagem podem utilizar cinco bases operacionais da concessionária. São três na Imigrantes (km 28 sentido litoral e km 56 e 62 sentido Capital) e duas na Anchieta (km 40 sentido litoral e km 19 sentido Capital).

Nesses locais, quem passa por problemas com o veículo ou tem a necessidade de ir ao banheiro ou parar para descansar dispõe de atendimento de emergência, auxílio mecânico, guinchos de plantão, sanitários e bebedouros.

Essa foi a sorte do comerciante Carlos Henrique de Araújo Oliva, de 48 anos, que viu sua Fiorino esquentar e precisou encostar na altura do km 30, sentido litoral, da Imigrantes. “Eu não tenho do que reclamar. Fui muito bem atendido e de maneira rápida. Meu carro já havia apresentado falhas na subida para São Paulo. Na ocasião, o serviço de apoio não demorou nem 15 minutos. Recebi a assistência necessária e fomos guinchados até Diadema”, relatou.

A mãe de Oliva, Selma, de 72 anos, é proprietária de uma loja de armarinhos e presentes em Santos há mais de 50 anos. Apesar de reclamar do alto valor do pedágio, ela diz nunca ter ficado na mão. “Pagar R$ 25 é um absurdo, mas o serviço da Ecovias é um dos melhores nas estradas paulistas”.

O socorro chegou rápido, mas como o problema era mecânico e não poderia ser resolvido ali, o veículo foi guinchado novamente para um posto de combustíveis próximo.

Na volta, sentido Capital, ao parar para fazer algumas imagens, a reportagem foi abordada por um veículo do serviço de inspeção de tráfego. Segundo a Ecovias, são três equipes como essa que circulam 24 horas por dia pelas estradas do SAI para assegurar as melhores condições de tráfego. Elas mantêm contato direto com o Centro de Controle Operacional (CCO) da concessionária para detectar e solucionar anormalidades nas estradas. O funcionário perguntou se estava tudo bem e seguiu viagem.

A concessionária também disponibiliza um serviço de auxílio mecânico gratuito que oferece dois tipos de atendimento na própria rodovia: troca de pneus e recarga de bateria. Além disso, seis ambulâncias e uma UTI cobrem acidentes ou outros tipos de emergências.

Banheiros e telefones

A reportagem também conferiu a qualidade dos banheiros nas bases operacionais da Ecovias. Apesar de faltarem sinalizações indicativas para alertar o motorista sobre o serviço, no posto do km 28 tanto o sanitário masculino quanto o feminino eram limpos e tinham água, descarga e papel higiênico.

Também foram testados telefones de emergência ao longo de todo o trajeto de São Paulo à Cubatão, por cerca de 50 quilômetros. Dos 10 aparelhos checados, apenas um, na altura do km 38, não funcionava.

Reclame aqui

No site Reclame Aqui (reclameaqui.com.br), a Ecovias foi classificada como “empresa não recomendada”. São 468 queixas, todas respondidas, em tempo médio de 2 dias e 20 horas.

A nota média dada pelos usuários do site é baixa, de 2,75. O índice de solução dos problemas relatados é de 40,1%, enquanto apenas 29,5% dos que reclamaram voltariam a “fazer negócio” com a concessionária. A maior parte das reclamações diz respeito a falta de manutenção (veja quadro acima), a demora em operações de comboio e a falta de iluminação – que é responsabilidade da AES Eletropaulo – e sinalização.

Problemas de limpeza e placas

No final de dezembro, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) ameaçou multar a Ecovias em até R$ 391 mil por irregularidades verificadas na Imigrantes durante a “Blitz Olho Vivo”, realizada no dia de Natal. Dos 78 problemas encontrados, a concessionária já havia reparado 67 depois de vistorias feitas anteriormente. Entre as irregularidades apontadas estavam problemas de drenagem, falta de limpeza e varredura da pista e sinalização vertical.

Em nota, a Ecovias afirmou que nenhuma das 11 não conformidades sinalizadas representam riscos aos usuários que trafegam pelo SAI, pois são, muitas vezes, consequência de ações de vandalismo — como lixo na faixa de domínio, por exemplo, e avarias em defensas metálicas. “Nestes casos, o esforço da concessionária em realizar o trabalho diário e constante de manutenção e conservação pode ser impactado, mas não compromete a operação da rodovia nos níveis de qualidade que são a marca da Ecovias”.

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