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Segunda, 04 Dezembro 2017 16:55

Siemens busca acordo de R$ 1 bi para evitar responder por crimes

Multinacional vai admitir formação de cartel em licitações; contratos do Metrô e da CPTM eram superfaturados em até 30%
Acordo com o Ministério Público Estadual visa suspender ações na esfera civil sobre o cartel dos trens Acordo com o Ministério Público Estadual visa suspender ações na esfera civil sobre o cartel dos trens Divulgação CPTM
Por Estadão Conteúdo

O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo e a multinacional alemã Siemens voltaram a sentar à mesa de negociação para fechar acordo para suspender as ações contra a empresa na esfera civil envolvendo as apurações do caso conhecido como o cartel dos trens. O acordo prevê o pagamento de uma multa superior a R$ 1 bilhão. O valor se refere às ações movidas contra a empresa que tiveram origem nas investigações que apuram a ocorrência de crimes em licitações envolvendo Metrô e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O acordo, no entanto, divide promotores.

Advogados da multinacional alemã estiveram reunidos na semana passada com promotores do Patrimônio Público de São Paulo e o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio. Os detalhes ainda não estão acertados entre as duas partes. A multinacional, além de pagar multa, vai admitir a prática de ilícitos. O termo se refere apenas às ações referentes à formação de cartel para atuar em licitações dos trens de São Paulo. De acordo com as investigações, as empresas superfaturavam em até 30% o preço das obras e dos trens, como combinavam qual delas.

Apesar de estar em fase avançada de negociação, o acordo com a Siemens não é unanimidade entre os promotores. Uma ala da Promotoria ainda não aceita a resistência que a multinacional tem  apresentado em delatar agentes públicos e políticos supostamente envolvidos no esquema.

Fontes no Ministério Público Estadual informam, entretanto, que o acordo está próximo de ser fechado. Nem todos os promotores responsáveis por ações contra a Siemens foram consultados ou concordam com termos que estão sendo negociados.

Não é a primeira vez que a empresa alemã tenta um acordo. Em 2016, por intermédio do escritório Trench Rossi Watanabe, a multinacional consultou promotores do Patrimônio Público, alegando que queria colaborar com as investigações. As tratativas, no entanto, teriam emperrado porque a empresa não aceitou o reconhecimento de culpa e, mais uma vez, hesitou em apontar agentes públicos e políticos envolvidos aos investigadores.

Agora, as negociações são conduzidas por outros membros do MPE, que não participaram das tratativas no ano passado. No Ministério Público Estadual, corre, por exemplo ação contra a multinacional que cobra R$ 1 bilhão e pede a dissolução de empresas envolvidas no cartel dos trens.

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