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Quinta, 30 Novembro 2017 17:12

MP apura desvios na saúde e prende seis

Operação apreendeu R$ 1,2 milhão e carros de luxo em Campinas
Ferrari e BMW foram apreendidas na casa de diretor da entidade que administra Hospital Ouro Verde Ferrari e BMW foram apreendidas na casa de diretor da entidade que administra Hospital Ouro Verde Denny Cesare/Codigo19/Folhapress
Da Reportagem
De São Paulo

Uma ação que apura o desvio de recursos públicos da área da saúde cumpriu 33 mandados de busca e apreensão e seis de prisão, em sete municípios do estado de São Paulo na manhã desta quinta-feira. Segundo o promotor José Cláudio Baglio, há indícios de uma organização criminosa operando também em outros estados com desvios de milhões de reais. A PM chegou a informar que haveria uma sétima pessoa presa na operação, mas o dado não foi confirmado até o fechamento desta edição.

Em Campinas, o Ministério Público (MP) e a Polícia Militar (PM) cumpriram mandados no Hospital Municipal Ouro Verde, administrada pela Organização Social Vitale, na prefeitura e em residências de um condomínio. Uma pessoa foi presa e foram apreendidos R$ 1,2 milhão, além de dois carros de luxo – modelos Ferrari e BMW.

Em Bariri, na região de Bauru, uma mulher foi detida e documentos apreendidos na Santa Casa da cidade, onde funciona a matriz da Vitale. De acordo com informações da Secretaria de Saúde do município, Bariri repassa R$ 316 mil mensais para organização, que recebe também verba federal de R$ 216 mil. A Vitale não quis se pronunciar.

Também foram alvos da Operação Ouro Verde as cidades de São Paulo, Santa Branca, Ubatuba, Várzea Paulista e Mogi das Cruzes. A polícia e o MP ainda não informaram de onde são os demais presos.

Segundo a PM, mandados de busca, apreensão e prisão foram cumpridos em três casas no condomínio Alphaville, em Campinas. Os carros foram aprendidos na casa de Fernando Vitor Torres Nogueira Franco. Ele era ligado à Vitale. Documentos que estavam com ele também foram levados pelos policiais.

Já o dinheiro foi apreendido na casa de um funcionário de carreira da prefeitura. Anésio Corat Júnior trabalha como diretor da Secretaria de Saúde em Campinas. A residência de um terceiro investigado, no bairro Botafogo, na rua Elisiário Prado, também foi alvo da operação. Todo o material apreendido será levado para a sede do MP, segundo informou a PM.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), um grupo ligado à Vitale utiliza a entidade para sistematicamente desviar recursos públicos da área de saúde.

Vitale

O Hospital Municipal Ouro Verde passa por uma grave crise de gestão, com atraso no pagamento dos salários e direitos trabalhistas dos funcionários, além de falta de insumos básicos, como gazes e seringas.

O contrato de gestão da Vitale com o hospital foi assinado no dia 29 de abril com a Prefeitura de Campinas, com prazo de cinco anos. A organização social assumiu a administração da unidade médica em 1º de julho e o repasse mensal previsto para a Vitale era de R$ 10,9 milhões.

Em nota, a Prefeitura de Campinas, informou que “está colaborando com as investigações do Ministério Público referente à Vitale e que tomará todas as providências ao seu alcance para que o caso seja elucidado o mais rapidamente possível”.

A administração municipal disse, ainda, que nos últimos cinco anos, “vem prezando pela probidade com os recursos públicos e, se ficar constatado o envolvimento de algum agente público com qualquer ilegalidade, ele será exemplarmente punido”.

Quatro vereadores da Câmara Municipal de Campinas protocolaram um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os supostos desvios de verbas públicas no Hospital Ouro Verde. Para que a CPI seja instalada, são necessárias 11 assinaturas. Pedro Tourinho (PT), Carlão do PT, Gustavo Petta (PC do B) e Marcelo Silva (PSD) já assinaram o pedido.

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