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Segunda, 09 Outubro 2017 10:05

Ambulatório do Estado faz atendimento à população trans

O serviço é composto por uma equipe multidisciplinar formada por dois endocrinologistas, uma psicóloga e uma assistente social
Psicóloga responsável pelo primeiro atendimento no espaço, Maria Cristina Arruda Soares conta que o protocolo estabelece dois anos de acompanhamento psicológico antes da cirurgia Psicóloga responsável pelo primeiro atendimento no espaço, Maria Cristina Arruda Soares conta que o protocolo estabelece dois anos de acompanhamento psicológico antes da cirurgia Rodrigo Montaldi/DL
Por Diário do Litoral

Há dois anos, as segundas-feiras ganharam um novo sentido para centenas de pessoas trans residentes na Baixada Santista. É neste dia que duas salas localizadas no fundo do Hospital Guilherme Álvaro são abertas para tratamento de hormonioterapia, consultas psicossociais e acompanhamento para futuras cirurgias de redesignação sexual de forma gratuita, dentro da proposta do Ambulatório Trans do Governo do Estado.

O serviço é composto por uma equipe multidisciplinar formada por dois endocrinologistas, uma psicóloga e uma assistente social. Desde que foi inaugurado, em março de 2015, a unidade acompanhou 52 pacientes e realizou 215 consultas clínicas, além de 433 atendimentos psicossociais. Atualmente outras 70 pessoas aguardam na fila para receber atendimento no espaço, que funciona principalmente através de demanda espontânea, ou seja, pessoas que deliberadamente buscam atendimento especializado.

Para iniciar o serviço, a pessoa precisa procurar uma unidade básica de saúde ou comparecer no próprio ambulatório para realizar um cadastro e aguardar vaga para atendimento. Não há necessidade de apresentar documentos médicos. A porta de entrada acontece a partir do preenchimento de um relatório e uma conversa com a psicóloga responsável.  A única e primordial regra da  equipe é chamar os pacientes pelo nome social em todas as fases do atendimento.

“Ninguém escolhe um caminho para sofrer. Logo, nascer em um corpo com o qual você não se identifica é um sofrimento físico e emocional muito grande. Nosso trabalho é tentar amenizar essa dor”, afirma Érico Paulo Heilbrun, diretor clínico do hospital e endocrinologista responsável pelo ambulatório.  

O primeiro contato de Heilbrun com o universo das pessoas trans aconteceu há 30 anos, dentro de seu consultório particular. “O meu primeiro paciente foi um homem trans, uma moça que se identificava com o sexo masculino e que me pediu tratamento hormonal. Nunca tive uma visão preconceituosa, pois esse assunto é do ramo da endocrinologia, embora no início do ambulatório a gente tenha escutado algumas coisas”, conta.

Psicóloga responsável pelo primeiro atendimento no espaço, Maria Cristina Arruda Soares conta que o protocolo estabelece dois anos de acompanhamento psicológico antes da cirurgia. “A questão é como esse grupo se vê. Temos mulheres trans que são homossexuais, ou seja, gostam de mulheres. Identidade de gênero e orientação sexual são coisas diferentes”, afirma.

Na visão da assistente social Patrícia Luzzin, o serviço serve também como uma porta de esclarecimento contra o preconceito. “Antigamente perguntavam: como assim vocês vão fazer cirurgia em uma pessoa trans e deixar um paciente com câncer? A questão central é que uma coisa não substitui outra e quem questiona isso não tem ideia da importância que a cirurgia tem para essa população. Para um homem transexual a mama é algo que não pertence ao corpo dele e precisa ser sair dalí”, conta.

REDE DE SAÚDE

Apenas 11 cidades brasileiras, incluindo Santos, possuem um ambulatório especializado no atendimento a essa população. Por existirem poucos médicos no Brasil habilitados a fazer a cirurgia de redesignação sexual, poucas instituições oferecem o serviço. A espera chega a levar até 12 anos.

Uma das principais críticas é a dificuldade de atendimento até mesmo na Rede Particular. “Temos ciência que muitos pacientes que chegam aqui gostariam de fazer a cirurgia de mudança de sexo genital. Os países que mais fazem estão na Ásia, cobrando em média de 20 a 25 mil dólares. O maior problema não é o preço e sim o fato de não ter garantias caso esse paciente volte com uma infecção. Há médicos interessados em se especializar nessa área, mas o caminho ainda é longo”, complementa Heilbrun.

SERVIÇOS

O ambulatório oferece várias modalidades de atendimento, dentre acolhimento, aconselhamento (adoção de medidas de autocuidado, redução de danos em relação à hormonioterapia e ao uso de silicone), além de avaliação e acompanhamento em várias especialidades, como clínica geral, endocrinologia, ginecologia, proctologia, urologia e fonoaudiologia. Além disso, há atendimento na área da saúde mental, como psiquiatria, serviço social e psicologia, destinado especialmente aos pacientes que desejam passar por cirurgias de redesignação sexual.

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