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Domingo, 12 Novembro 2017 10:52

Temi muito mesmo pela queda do São Paulo à Série B, diz Dorival Júnior

Dorival conviveu 12 rodadas com o clube entre os quatro piores da competição
Dorival conviveu 12 rodadas com o clube entre os quatro piores da competição Dorival conviveu 12 rodadas com o clube entre os quatro piores da competição Miguel Schincariol/Folhapress
Por Folhapress

Por Giancarlo Giampietro e Luiz Cosenzo

Quem vê o semblante mais tranquilo de Dorival Júnior, 55, nesta reta final do Brasileiro pode não acreditar, mas o técnico admite que temeu, e muito, pelo rebaixamento do São Paulo à Série B.

O retrospecto da equipe dá razão ao comandante. Desde que assumiu o cargo em 10 de julho, Dorival conviveu 12 rodadas com o clube entre os quatro piores da competição.

"Muito. Muito mesmo. Porque você via o trabalho, a gente ganhava uma rodada, e quando terminavam os jogos, não subíamos na tabela", disse o técnico, que não vive uma sensação de alívio absoluto, mas está próximo.

O respiro definitivo pode vir neste domingo (12), quando o São Paulo pega o Vasco, às 17h (com Globo), no Rio.

Com uma vitória, a equipe chega aos 47 pontos –pontuação considerada ideal para permanecer na elite.

Se a reação do São Paulo deixa Dorival satisfeito, ainda há o que o incomode no Brasileiro e no futebol nacional como um todo. Em entrevista à Folha, o técnico fez duras críticas à falta de organização e ao estilo e nível de jogo que tem visto.

"Após o 7 a 1, era para a gente repensar a reestruturação do futebol brasileiro. Se os resultados não acontecessem, continuaríamos capengando. Estamos acomodados novamente porque a seleção está dando resultados. O futebol brasileiro continua andando para trás."

Pergunta - O São Paulo passou 14 rodadas na zona de rebaixamento. Hoje, está em situação mais confortável. Em algum momento, temeu pela queda ?
Dorival Júnior -
Muito. Muito mesmo. Porque a gente ganhava uma rodada, você via o trabalho e, quando terminavam os jogos, não subíamos na tabela. A gente pedalava, mas não saía do lugar.
Quando você é envolvido pelo adversário, joga mal ou está inferior na partida, até sai de campo conformado. Agora, quando faz uma boa partida , tem um errinho e vê a bola parar lá dentro, arrebenta.
Nesse período, o lado emocional é o mais difícil.

Como foi para tranquilizar os jogadores com a possibilidade de rebaixamento?
-
O que percebi é que de repente mais times se juntaram a esse grupo [de rebaixamento]. Em uma oportunidade, tínhamos 13 equipes brigando contra o rebaixamento. Tentava mostrar essa situação para que não desanimassem.
Neste período, fizemos apenas um jogo muito abaixo que foi na derrota para o Fluminense [3 a 1]. Aí começa uma série de dúvidas, e você mesmo se questiona para entender o que estava acontecendo.
Logo na rodada seguinte, porém, os resultados começaram a encaixar dentro do que precisávamos e começamos a fazer a nossa parte. Com isso, encontramos um caminho.

Você já conviveu com essa situação de lutar contra o rebaixamento no Fluminense, Vasco, Atlético-MG e Palmeiras. Essa experiência ajudou?
-
Cada trabalho tem suas particularidades. Já peguei realmente várias situações em que o número de jogos eram menores e emergenciais. Mas, na maioria dos casos, cheguei com os times já montados.
Já o São Paulo se remontou durante o torneio. Foi um trabalho muito mais penoso, mesmo com quantidade maior de jogos. Quando fui contratado, estavam chegando muitos jogadores. Então pontuei se o clube estava ciente do que poderia acontecer nas próximas rodadas -teríamos até o final do primeiro turno seis jogos sem pausa. Falei que isso poderia comprometer o trabalho, já que seria avaliado de cara, sem tempo para treinar e com atletas chegando.

Como foi para encontrar o time ideal durante o torneio?
-
As semanas livres que tivemos para treinar após os cinco, seis primeiros jogos nos ajudaram a formar o time. Se não fosse isso, seria muito complicado. O rendimento começou a mudar. Tivemos de alterar 60% da equipe. É algo drástico, um quebra-cabeça. Encontrar essa equipe ideal nessas condições é o maior desafio de um treinador.

O objetivo agora é deixar, um time pronto para 2018?
-
Nosso primeiro objetivo é atingir esses pontos que faltam [para escapar definitivamente]. Isso vamos ver só rodada a rodada.
O principal legado é uma equipe que saia com no mínimo uma base. Para que não chegue tão cru. E torcer para que mudanças [de jogadores] que possam acontecer sejam pontuais, para não perdermos aquilo que já foi construído.

Esperava que Hernanes se adaptasse tão rapidamente? Segurá-lo seria o principal reforço do clube para 2018?
-
Lógico que eu esperava um acréscimo, mas não neste nível. Ele acrescentou em todos os aspectos, e foi uma surpresa positiva, principalmente pelo profissional que é. Ele impõe a forma de ser pelo exemplo. Por isso, está tão valorizado. Ele seria um jogador importante [tem contrato até julho de 2018].

A maioria das equipes na Série A investe em um futebol reativo. Como vê esse momento do futebol brasileiro?
-
Naturalmente cada um tem uma maneira de jogar. Pode se desenvolver uma grande equipe com esse futebol de forte marcação e saídas no contra-ataque. Mas isso tem acontecido mais nos últimos dois anos e preocupa.
Estamos abrindo mão daquilo que sempre foi nosso carro-chefe, que é a posse de bola, o passe e a habilidade.
Estamos na contramão de tudo o que está acontecendo nos grandes centros. Lá, estão valorizando posse de bola, o futebol de aproximação, justamente aquilo que sempre vimos no nosso futebol.

Num cenário mais amplo, o que mudou no futebol brasileiro após a Copa-2014?
-
Após o 7 a 1, era para a gente repensar o futebol brasileiro, repensar principalmente a reestruturação desde CBF, federações, clubes, formação. Torcemos pelo sucesso do futebol brasileiro, pelo sucesso do Tite, que é um dos melhores profissionais do futebol mundial. Ele tem conseguido resultados brilhantes.
Mas o efeito disso é que seguimos acomodados. Continuamos capengando, repetindo vícios e erros. É a mesma acomodação dos últimos 30 anos.
O movimento de mudança no futebol do país perde força. Na verdade, nosso futebol continua andando para trás. E não vai mudar enquanto não houver um movimento de respeito com pessoas interessadas, com um trabalho integrado.

Como vê a participação da CBF e federações?
-
As federações são apenas arrecadadoras. Arrecadam, e muito, e dificilmente devolvem esse ganho com investimento no futebol. A CBF nem se fala. É um órgão que arrecada mais e mantém o sistema. Há uma pirâmide invertida e um desleixo.

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