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Sexta, 15 Junho 2018 20:20

Prevista para 2014, Linha 17 – Ouro não fica pronta nem para Copa da Rússia

Em visita aos canteiros de obras das oito estações em construção, a reportagem da Gazeta apurou que o trabalho andou pouco nos últimos meses
A estação Vila Cordeiro, da Linha 17 - Ouro, segue em construção com a promessa de ser entregue em 2019 A estação Vila Cordeiro, da Linha 17 - Ouro, segue em construção com a promessa de ser entregue em 2019 Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo
Por Marcelo Tomaz
De São Paulo

Prometidas para a Copa do Mundo de 2014, as estações do monotrilho da Linha 17 – Ouro do Metrô ainda não foram entregues. Enquanto os paulistanos torcem pela Seleção Brasileira na Rússia, as obras por aqui seguem atrasadas mesmo após quatro anos.

O trecho foi proposto em 2010, quando o Estádio de Morumbi ainda era o mais cotado para ser a sede paulista do torneio. O término dos trabalhos chegou a ser anunciado para antes da disputa, entre junho e julho, mas não ocorreu. A ideia original foi concebida em 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre o Jabaquara, o Aeroporto de Congonhas e o Morumbi.

O projeto foi alterado quando ficou definido que a Arena Corinthians seria o palco das partidas em São Paulo e passou a ser executado em três etapas. A primeira, como afirmou o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2012, ligaria apenas o Aeroporto de Congonhas a Linha 9 - Esmeralda da CPTM e deveria ser entregue em dois anos.

Após inúmeros atrasos, agora ela é prevista para dezembro de 2019, com 7,7 quilômetros, oito estações e demanda estimada de 185 mil usuários por dia. Entretanto, os pilares e vigas espalhados pela avenida Roberto Marinho e pelas margens do rio Pinheiros, na zona sul, indicam que ainda pode demorar muito mais para que algum trem circule pelo monotrilho.

Em visita aos canteiros de obras das oito estações em construção, a reportagem da Gazeta apurou que o trabalho é moroso e andou pouco nos últimos meses. Um número reduzido de funcionários é visto nos locais, que prejudicam o trânsito e acumulam entulho e lixo.

Inicialmente a construção da Linha 17 – Ouro era orçada em R$ 1,39 bilhão, mas esse valor já chegou a R$ 3,58 bilhões. Além do alto custo do trecho, próximo dos R$ 400 milhões por quilômetro, o Metrô prevê uma operação deficitária.

Na prática, os custos para manter os trens circulando serão muito maiores do que a receita das bilheterias. O valor estimado de operação é de R$ 6,71 por passageiro, muito acima do preço atual da tarifa da rede, de R$ 4. O Estado, para efeito de comparação, paga R$ 4,03 por usuário à concessionária da Linha 4 - Amarela.

O futuro prejuízo do monotrilho chegou a ser usado pela gestão Alckmin como justificativa para sua inclusão no pacote que foi concedido à iniciativa privada junto com a Linha 5 - Lilás em janeiro, já que esta poderá ser lucrativa, de modo a compensar as perdas.

Procuram-se passageiros

Para especialistas, o encurtamento do tamanho da linha (veja no infográfico) pode ser a causa desse provável futuro déficit de operação. Estações com grande potencial de passageiros, como Paraisópolis, foram excluídas.

“A Linha 17 - Ouro tinha sido desenvolvida de forma estratégica, ligando áreas muito povoadas e sem emprego com áreas pouco povoadas e com muito emprego. A redução do trajeto dela pode ter sido decisivo para o desequilíbrio financeiro da linha”, diz Emiliano Affonso, do sindicato dos Engenheiros de São Paulo.

O prejuízo para a operação foi informado pelo Metrô ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) após pedido de explicações sobre a junção das Linhas 5 e 17 no mesmo pacote de concessão.

O ex-secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, afirmou no ano passado que, na atual situação, não era mais possível pensar nas duas linhas dissociadas.

Para ele, a proposta original e mais extensa da Linha 17 já não servia para efeito de comparação. “Aquele projeto não existe mais. A prioridade é terminarmos aquilo que nós temos. Agora, eu não tenho condições de construir as estações previstas no primeiro projeto”, afirmou. 

Ação de consórcio paralisa novamente na Justiça único trecho em construção

Na semana em que a Copa do Mundo da Rússia motivou a produção de diversas matérias a respeito do legado do torneio no Brasil, a Linha 17 - Ouro do Metrô voltou a ser manchete, desta vez por conta de uma liminar concedida pela juíza Carmem Oliveira, da 5ª Vara da Fazenda Pública. A ação, impetrada pelo consórcio Monotrilho Integração (Andrade Gutierrez, CR Almeida, Scomi e MPE), pede a suspensão dos trabalhos em razão da falta de correção monetária em um dos serviços realizados pela empresa em março deste ano.

Na prática trata-se de mais uma manobra do consórcio, que há bastante tempo tenta rescindir o contrato de construção da linha de monotrilho na zona sul de São Paulo. A princípio, as duas construtoras são as interessadas em deixar a obra que, na visão delas, foi alterada de tal forma que não é mais viável financeiramente. Do lado do governo, o Metrô insiste que o consórcio deverá concluir alguns trechos pendentes como o que percorre a região ao lado do rio Pinheiros e também fornecer as vigas-trilho faltantes.

O problema é que o consórcio é peça-chave para a operação do ramal. A empresa malaia Scomi é responsável por fornecer os sistemas e trens de monotrilho que serão usados na linha. No entanto, embora haja uma composição em testes na Malásia e outras em construção, não há prazo de entrega conhecido para os equipamentos. Os trabalhos com os sistemas de energia, comunicação, sinalização e segurança também não são perceptíveis nas vias. Em condições normais, todo o escopo atribuído ao consórcio já teria sido entregue, mas segue ameaçando a previsão de inauguração.

Linha do Tempo da Linha 17 - Ouro

2010
A inclusão da Linha 17 - Ouro como promessa para a Copa do Mundo de 2014 ocorreu em 2010, quando o então ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), assinou com o governo do Estado e a prefeitura da Capital uma série de compromissos – a chamada Matriz de Responsabilidades – que incluíam como sede paulista o Estádio do Morumbi.

2011
O Estádio do Morumbi fica de fora, dá lugar a Arena Corinthians e o projeto da Linha 17 – Ouro é alterado, com a primeira fase contendo apenas oito estações.

2012
Em março, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) assina a autorização para o início das obras. “Serão dois anos de obras, nós vamos correr o máximo para ficar pronto antes da Copa do Mundo, se possível. As pessoas vão poder sair do Aeroporto de Congonhas e pegar o trem”, afirmou o tucano na ocasião.

2013
O término das obras era previsto para março de 2013, o que não ocorreu. Em outubro, com os trabalhos ainda patinando, Alckmin promete um quarto trecho. “A ideia definida é ligar Diadema com à estação Jabaquara. Não será mais preciso ir para São Bernardo”, projetou.

2014
Mesmo com atrasos, a obra seguia bem até que um acidente em junho fez o Ministério do Trabalho suspender as construções. Na ocasião, uma viga despencou dos pilares vitimando um operário. Mais tarde, as construtoras Andrade Gutierrez e CR Almeida decidiram abandonar a obra por não concordarem com os valores recebidos. A disputa foi parar na Justiça, que buscou uma saída negociada.

2015
A gestão de Alckmin suspende até 2017 o início da construção de dois trechos da Linha 17 - Ouro afirmando que “resolveu adotar como prioridade a conclusão das obras dos trechos em andamento antes de dar início às novas frentes de trabalho” por causa da queda na arrecadação do Estado, “em razão da crise econômico-financeira que o País atravessa, com a alta da inflação, fortalecimento do dólar, queda do PIB e juros altos”. A medida, anunciada em dezembro, mantém paralisada por mais um ano a construção de 10 km da linha, 57% da extensão total (17,6 km), nas duas pontas que farão a ligação de Congonhas com o metrô (Linhas 1 - Azul e 4 - Amarela). Então, a conclusão total dos trabalhos deveria demorar 30 meses, até julho de 2019.

2016
No começo do ano os contratos com os consórcios responsáveis pela obra são rescindidos porque os canteiros foram abandonados, segundo o Metrô. A companhia disse que notificou várias vezes as empresas para retomarem os trabalhos, mas que, mesmo assim, elas desaceleraram o ritmo e não cumpriram os prazos estabelecidos. Em contrapartida, a Andrade Gutierrez afirma que quem atrasou foi o Metrô e que ajuizou ação pela rescisão. Em agosto, o então secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, admite que o monotrilho deverá funcionar apenas com operação assistida em 2018. Isso significa que os trens deverão operar inicialmente apenas em parte do dia, possivelmente em intervalos de menor fluxo.

2017
Em dezembro, Alckmin envia projeto de lei para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) que o autoriza a contratar empréstimo de R$ 1 bilhão para concluir a obra. Com menor número de estações e, assim, menos passageiros, o Metrô prevê que a operação da linha seja deficitária.

2018
Em junho a Justiça suspende a execução do contrato até que o Metrô pague ao consórcio responsável pelas obras os valores referentes à atualização monetária sobre o que foi feito até agora.


Estações em obras

01 Estação Chucri ZaidanEstação Chucri Zaidan
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


02 Estação Campo BeloEstação Campo Belo
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


03 Estação Vereador José DinizEstação Vereador José Diniz
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


04 Anexo da Estação Vila CordeiroAnexo da Estação Vila Cordeiro
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


05 Estação CongonhasEstação Congonhas
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


06 Estação Jardim AeroportoEstação Jardim Aeroporto
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


07 Estação MorumbiEstação Morumbi
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)


08 Estação Brooklin PaulistaEstação Brooklin Paulista
(Foto: Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo)

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