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Segunda, 04 Junho 2018 18:16

Veículos são responsáveis por maior parte da poluição do ar em São Paulo

Greve dos caminhoneiros fez com que os índices de contaminação caíssem pela metade e expôs o problema que respiramos
Os índices de contaminação medidos pelas estações Ibirapuera e Cerqueira César da Cetesb caíram pela metade durante os sete primeiros dias da greve dos caminhoneiros; poucos carros circularam Os índices de contaminação medidos pelas estações Ibirapuera e Cerqueira César da Cetesb caíram pela metade durante os sete primeiros dias da greve dos caminhoneiros; poucos carros circularam Danilo Verpa/Folhapress
Da Reportagem
De São Paulo

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, um dos temas mais debatidos é a poluição do ar. Na capital paulista, os veículos são responsáveis pela maior parte da poluição. A situação ficou mais evidente na última semana, durante a greve dos caminhoneiros, quando os índices de contaminação caíram pela metade na cidade, segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Por causa da falta de combustível, causada pela paralisação, o número de veículos circulando pela cidade diminuiu e a qualidade do ar melhorou. Comparando os sete primeiros dias da greve com a semana anterior, a qualidade do ar melhorou em 50% em dois pontos de medição da Cetesb, nas estações Ibirapuera e Cerqueira César. 

“Esse é um episódio raro e vamos estudar suas consequências na saúde pública. Quem sabe essas evidências quantitativas sirvam de argumento para a criação de novas políticas”, ponderou Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), durante evento na semana passada.

Agora, uma equipe do IEA fará uma análise mais completa do fenômeno e cruzará os níveis de poluição e de congestionamento com os dados diários de mortalidade e internações no período. O objetivo é medir o custo real da poluição.

“A poluição tem um custo alto para a saúde. Existe a chamada perda de capacidade produtiva de uma população economicamente ativa, ou seja, quanto dinheiro o Brasil perde por uma fração produtiva da sua população morrer antes da hora estipulada”, completou Saldiva.

Os pesquisadores do instituto também tiveram a oportunidade de medir a poluição de São Paulo durante a greve dos metroviários em maio de 2017. Na ocasião, o contrário aconteceu: a poluição atmosférica dobrou porque, sem opção, muitos resolveram sair de carro. 

Respiramos

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no mês passado, 90% da população mundial respira ar poluído e sete milhões de pessoas morrem em decorrência dessa poluição todos os anos. A entidade analisou os índices de poluição atmosférica de 4.300 cidades de 108 países.

À medida que a qualidade do ar urbano diminui, o risco de acidente vascular cerebral, doença cardíaca, câncer de pulmão e doenças respiratórias crônicas e agudas, incluindo asma, aumenta para os moradores.

A OMS baseia os seus dados de coleta de acordo com as concentrações médias anuais de material particulado fino (MP2,5), poeira que penetra fundo no trato respiratório. As recomendações da entidade exigem que os países reduzam a poluição do ar para valores médios anuais de 20 μg/m³ (microgramas por metro cúbico).

O Brasil possui um padrão de qualidade do ar próprio, adotado em 1990, que é entre três e quatro vezes mais permissivo do que os valores de segurança definidos pela OMS. São Paulo, como a maior parte das cidades brasileiras, está longe de respeitar os níveis de qualidade do ar recomendados pela entidade. Todos os 30 aparelhos na Região Metropolitana de São Paulo que monitoram os índices de material particulado fino registram médias anuais acima do seguro.

Essa realidade não é muito diferente para outras substâncias prejudiciais, como o material particulado grosso (MP2,5 - MP10) e o ozônio (O³). Há farta literatura médica mostrando sua relação com mortes prematuras por doenças cardiovasculares e respiratórias.

Para Davi Martins, especialista do Greenpeace em mobilidade urbana, melhorar o ar depende do transporte. “É preciso rever a forma como nos movemos pela cidade. Isso significa usar mais o transporte público e, sempre que possível, andar a pé, de bicicleta ou fazer uma mistura desses três modos. A prefeitura precisa ajudar implementando faixas exclusivas de ônibus, ampliando a malha cicloviária e trazendo mais segurança aos pedestres”, finaliza.

Mais de 11 mil pessoas morrem todos os anos por conta da poluição

Cerca de 11,2 mil pessoas morrem todos os anos no Estado de São Paulo por problemas de saúde agravados pela alta quantidade de poluentes no ar. Os dados são de um levantamento realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade a pedido do Greenpeace.

Só na cidade de São Paulo, mais de 3 mil mortes foram causadas em 2017 por problemas de saúde agravados especificamente pelas emissões de poluentes da frota de ônibus a diesel. Se os coletivos não forem substituídos por outros com combustíveis renováveis, a estimativa é que sejam 7 mil mortes em 2050.

Outro estudo, publicado em agosto do ano passado na revista científica norte-americana Nature Communications, mostra que quando a gasolina fica mais barata nos postos da cidade de São Paulo, aumenta em 30% a emissão de material particulado fino. Os dados analisados são de 2011, período em que houveram muitas oscilações no preço do etanol, provocando a substituição do biocombustível pela gasolina.

“As partículas ultrafinas emitidas por veículos atravessam a barreira do sistema respiratório e alcançam os alvéolos pulmonares, levando direto para a corrente sanguínea qualquer metal pesado ou composto tóxico que seja inalado”, afirma Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e supervisor do estudo.

Entre as 193 cidades monitoradas pela OMS, São Paulo é a sexta mais poluída, segundo ranking de fins de 2005. No município, ao contrário de outras grandes metrópoles como Pequim, 92% da poluição do ar é causada por veículos e não pela indústria.

De acordo com dados do Instituto do Coração, a cada 100 consultas realizadas no pronto-socorro, 12 são atribuídas à poluição do ar.

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