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Sábado, 14 Abril 2018 12:30

Bruno Covas ouve mais e desacelera na Prefeitura de SP

A mudança de peças no escalão de secretários também teve o propósito de melhorar a desgastada relação do Executivo com a Câmara, uma das heranças do antecessor.
Por Folhapress

Ao assumir a Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), 38, usou gravata e exaltou a política após um ano e três meses do autointitulado "gestor" João Doria (PSDB) rejeitar ambas as coisas.Ao assumir a Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), 38, usou gravata e exaltou a política após um ano e três meses do autointitulado "gestor" João Doria (PSDB) rejeitar ambas as coisas.

Se o novo prefeito repete que fará um governo de continuidade ("o avião segue na rota, só muda o piloto"), as atitudes mostram uma mudança de perfil e também de marcha. Depois de 15 meses de um prefeito em contínua pré-campanha, seja à Presidência ou ao governo estadual, Covas agora desacelera.

Ele fez menos aparições oficiais em toda a primeira semana –seis, no total– que Doria no dia anterior ao da renúncia ao cargo. O bombardeio de postagens em redes sociais deu lugar a compromissos internos e burocráticos.

A maior parte da agenda foi dedicada a reuniões com os secretários. Os nomes mais ligados a Doria, como Cláudio Carvalho (Prefeituras Regionais) e Anderson Pomini (Justiça), deixaram a gestão, e outros sairão até o final do ano.

Alguns farão parte da campanha de Doria para o cargo de governador. Outros voltarão para a iniciativa privada.

Quem fica se diz aliviado pelo fim da carga de pressão e cobrança que Doria colocava nas costas dos subordinados. Por ter trabalhado no Executivo como secretário estadual do Meio Ambiente, dizem aliados, Covas está mais acostumado com o tempo da gestão pública, diferente do da iniciativa privada.

Mas, para algumas dessas figuras oriundas do mercado empresarial, o ritmo mais cadenciado de Covas pode se tornar decepção no longo prazo diante do que viam como um novo paradigma: padrões privados na gestão pública, com metas e controle de produtividade.

Vereadores e técnicos da prefeitura já notaram que Covas ouve mais do que o antecessor. Um vereador disse que ele é mais "ouvido" do que "boca". Para tomar as decisões, costuma levar em consideração um grupo pequeno de pessoas próximas a ele.

Uma delas é Fábio Lepique, que foi recontratado por Covas na quinta-feira (12). Ele foi exonerado por Doria em outubro de 2017 após a gestão sofrer críticas na área de zeladoria, pela qual ele respondia na época. Agora, ele será secretário-executivo do gabinete de Covas, ou seja, um dos assessores do prefeito.

A mudança de peças no escalão de secretários também teve o propósito de melhorar a desgastada relação do Executivo com a Câmara, uma das heranças do antecessor.

"Bruno é gestor e político. Deixará ainda mais aberta a relação com o Legislativo", diz o vereador Eduardo Tuma (PSDB), que foi alçado ao cargo de secretário da Casa Civil.

Tuma e o novo secretário dos Transportes, João Octaviano Machado, antes à frente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), são próximos do presidente do Legislativo municipal, Milton Leite (DEM).

A melhora da relação deve facilitar o encaminhamento e a aprovação de projetos de lei considerados prioritários e que ainda dependem do aval da Câmara. São os casos da reforma da previdência municipal, que deve voltar a ser discutida depois das eleições, e do pacote de desestatização, que depende ainda dos vereadores para repassar o complexo do Anhembi e o autódromo de Interlagos para a iniciativa privada.

No entanto, no caso da pasta dos Transportes, a escolha de Octaviano e a consequente saída de Sérgio Avelleda (que se tornou chefe de gabinete do prefeito) virou um motivo de apreensão entre membros da administração.

Milton Leite tem relação próxima com empresas de transportes, e a colocação de um de seus aliados na chefia da secretaria soa como positiva só a esses grupos de interesse. A movimentação é acompanhada de perto a poucos dias do lançamento do edital da licitação dos ônibus.

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