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Sexta, 16 Março 2018 20:38

E agora, prefeito?

Doria anunciou, na última semana, que deve deixar a prefeitura para ser candidato ao governo do estado de São Paulo
"Sou prefeito, fui eleito para ser prefeito e vou prefeitar. Tenho ouvido muitas perguntas, mas tenho que ser aquilo para o qual fui designado. Essa é minha responsabilidade” - em entrevista à Jovem Pan em 6 de março de 2017 "Sou prefeito, fui eleito para ser prefeito e vou prefeitar. Tenho ouvido muitas perguntas, mas tenho que ser aquilo para o qual fui designado. Essa é minha responsabilidade” - em entrevista à Jovem Pan em 6 de março de 2017 Heloísa Ballarini/SECOM/Fotos Públicas
Por Marcelo Tomaz
De São Paulo

Durou um ano, dois meses e 12 dias o compromisso do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), de não deixar o cargo. No domingo, 18, o tucano concorre nas prévias de seu partido à vaga de candidato ao governo do Estado de São Paulo.

Quando se lançou à prefeitura, Doria declarou diversas vezes que cumpriria integralmente seu mandato. Em 16 de setembro de 2016, faltando poucos dias para as eleições municipais, ele chegou a assinar um documento durante entrevista ao Catraca Livre firmando a promessa.

Em momentos posteriores, assegurou reiteradas vezes que seu plano era o de fazer oito anos em quatro na prefeitura e não tentar a reeleição. Apresentado como “gestor” e “não político”, chamou a atenção de um eleitorado cansado da política tradicional e ansioso por renovação.

O discurso trouxe resultados e Doria foi eleito ainda no primeiro turno, feito inédito na capital paulista. Três meses depois, em seu primeiro dia de trabalho, o tucano se vestiu de gari para varrer a avenida Nove de Julho, começando uma atuação regada a altas doses de marketing.

Na última segunda-feira, o prefeito usou o Facebook para fazer o anúncio oficial de sua pré-candidatura, dizendo que aceitava o chamado “dos representantes e lideranças” do PSDB. O partido reuniu assinaturas de 1.785 delegados pedindo seu nome.

Muitos de seus próprios eleitores, entretanto, reagiram mal a notícia. Na terça-feira, 13, o próprio Doria admitiu que poderia perder votos na cidade devido à sua decisão, mas disse apostar suas fichas no interior de São Paulo.

A reportagem foi às ruas para ouvir a opinião dos paulistanos e alguns se mostraram contrariados. “Ele está lidando com uma grande cidade, mas não consegue enxergar as necessidades do povo. Ele disse que não era político e sim administrador, prometeu que cumpriria o mandato integralmente e não disputaria a reeleição, mas está quebrando esse acordo”, dispara o matemático David de Góes Borges, de 38 anos.

Outros, contudo, não veem um problema na tentativa de Doria de alçar voos maiores. “Eu acompanhei a trajetória dele nesse início e acho que ele está fazendo uma excelente gestão. Eu esperava que ele cumprisse com os quatro anos mas, pelo trabalho e por entender que ele tem uma visão empreendedora, votarei nele para governador”, afirma o administrador José Geraldo Ferreira, de 55 anos.

Entra Covas

No começo de fevereiro, a Gazeta antecipou que Doria seria o nome escolhido pelo PSDB para a disputa estadual. Caso vença as prévias partidárias e se candidate de fato, o prefeito de São Paulo terá que renunciar ao atual cargo.

Neste cenário, quem assume é o vice, Bruno Covas (PSDB). Em 2006, algo parecido aconteceu com José Serra (PSDB), que deixou a administração para se candidatar e foi eleito governador do Estado. A prefeitura também acabou nas mãos do vice, Gilberto Kassab (PSD).

A data limite para Doria abrir mão do cargo é 7 de abril, mesmo dia em que Covas faz aniversário. Aos 38 anos, o tucano será o chefe do Executivo mais jovem que São Paulo já teve desde a redemocratização.

Covas nasceu em Santos, mas mudou-se para a capital paulista quando adolescente para continuar os estudos e acabou na casa do avô, então governador. Formou-se advogado e economista, chegou a fazer estágio em dois escritórios de advocacia, trabalhou na área tributária após formado e deu aulas de Direito em Santos. Aos 26 anos, elegeu-se deputado estadual. Em 2010, foi reeleito como o mais votado no estado e, em 2014, chegou à Câmara dos Deputados. Escalado pelo governador Geraldo Alckmin para a Secretaria do Meio Ambiente, ficou pouco em Brasília.

Foi como secretário que, em uma entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, disse ter recebido proposta de propinas de prefeitos em troca de emendas que beneficiassem as respectivas cidades. A declaração deflagrou um escândalo. Um deputado chegou a dizer que parlamentares recebiam entre 25% e 30% do valor das verbas liberadas. Covas recuou dias depois. Disse que se referia a um exemplo hipotético quando concedeu a entrevista.

Com pouco mais de dez meses de gestão, Doria tirou da tutela de Covas a Secretaria de Subprefeituras, cargo que acumulava com o de vice e que funciona como uma espécie de zeladoria da cidade, e o realocou em uma nova pasta, a da Casa Civil.

Hoje, prestes a assumir um orçamento de R$ 56 bilhões, o maior que o PSDB terá em mãos nas eleições deste ano, Covas fala com prefeitos diariamente, costurando apoio para a campanha de Doria ao governo do estado.

Suplicy não precisa renunciar ao mandato

O prefeito João Doria (PSDB) é só um entre os políticos de São Paulo que deixarão o eleitorado na mão, mas pode ser o único a ficar sem mandato. Isso porque, ao contrário dos chefes do Executivo (prefeitos, governadores e presidente), os membros do Legislativo (vereadores, deputados e senadores) podem se candidatar sem deixar o cargo. É o caso do vereador Eduardo Suplicy, que aos 76 anos anunciou sua pré-candidatura ao Senado Federal por São Paulo. O petista, que em 2018 completa 40 anos na política, se elegeu vereador em 2016 com 301 mil votos – maior votação da história. Caso não seja eleito, Suplicy poderá retornar à Câmara Municipal assim que a disputa terminar. Já Doria, caso perca, não voltará a assumir o cargo.

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