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Sexta, 15 Dezembro 2017 11:16

Doria lança currículo escolar antes do MEC

O currículo paulistano entra em vigor já no ano que vem, com o desafio na formação dos professores
A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão João Doria (PSDB), se adiantou à definição da Base Nacional Comum Curricular e lança nesta sexta (15) o novo currículo para as escolas de ensino fundamental da rede municipal A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão João Doria (PSDB), se adiantou à definição da Base Nacional Comum Curricular e lança nesta sexta (15) o novo currículo para as escolas de ensino fundamental da rede municipal Agência Brasil
Por Folhapress

A Prefeitura de São Paulo, sob a gestão João Doria (PSDB), se adiantou à definição da Base Nacional Comum Curricular e lança nesta sexta (15) o novo currículo para as escolas de ensino fundamental da rede municipal.

O documento, ao qual a reportagem teve acesso, traz novidades com relação à diretriz nacional, como uma sequência de conteúdos de tecnologia, objetivos que envolvem a identidade de gênero e material de apoio com sugestões didáticas ao professor.

O currículo paulistano entra em vigor já no ano que vem, com o desafio na formação dos professores.
Já o texto final da base nacional, que define o que os alunos do país devem aprender a cada ano letivo da educação básica, ainda não foi homologado e pode passar por mudanças. O CNE (Conselho Nacional de Educação) pode votar o texto final nesta sexta-feira (15), em reunião marcada em Brasília.

O MEC (Ministério da Educação) tem se esforçado para aprovar ainda neste ano a versão final da base. A Folha apurou que o fato de a rede municipal paulista lançar seu currículo neste momento causou desconforto na cúpula do ministério, que esperava fazer o seu anúncio antes.

Alexandre Schneider, secretário municipal de Educação, diz que o currículo de São Paulo está alinhado à base. "Acompanhamos todas as discussões da base, conversamos com conselheiros [do CNE]. Se houver surpresa, será pequena", diz, ao ressaltar o caráter adaptável do currículo.

"Qualquer alteração na base ou se percebermos que algo não funciona na sala de aula, vamos adaptar. É um processo de construção permanente", diz. "O melhor é que definimos o tipo de aluno que a cidade quer formar."

A elaboração de um currículo por parte das redes é um processo esperado para todo o Brasil após a definição da base. Escolas particulares também terão de se adaptar ao documento nacional.

Esse processo na capital paulista começou em março. Houve uma pesquisa com participação de 43.655 estudantes e 16.030 educadores.

O texto trata dos nove anos do ensino fundamental e deve chegar aos 400 mil alunos de 550 escolas municipais. A discussão curricular na cidade sobre educação infantil (creche e pré-escola) será realizada posteriormente.

Tanto o secretário quanto a equipe que coordenou os trabalhos insistem em pontuar que o novo currículo é fruto do que prevê a base, assim como os documentos curriculares e de apoio aos professores que já são usados na rede.

O professor Francisco Soares, membro do CNE, leu o texto. "Essa experiência é a primeira de uma rede que pega o que está estabelecido na base e coloca a sua cara. A base é obrigatória, mas ela não terá a mesma cara em todos os lugares, isso é positivo."

A secretaria pretende intensificar o processo formativo dos educadores ao longo de todo ano de 2018.

A escolha da pasta, no entanto, é manter a mesma estrutura que já existe na rede, enfocando os coordenadores pedagógicos de cada unidade e o uso das horas já prevista para formação na escola (três horas semanais).

"O objetivo é intensificar as formações, mas acreditamos no peso da formação na escola", diz Minéa Fratelli, diretora da divisão de ensino fundamental da secretaria.

Diretor do Sinesp (sindicato que envolve os diretores de escola), Luiz Carlos Ghilardi levanta dúvidas.

"Formações são fundamentais para esse processo e a secretaria não oferece tantas oportunidades específicas, hoje a quantidade é insuficiente", diz.

Segundo pesquisa realizada pelo Sinesp, 47% dos gestores afirmam que as formações da secretaria são "insuficientes, incompletas e superficiais". Outros 32% disseram que eles "desconsideram a realidade de cada escola".

Como é hoje, sem o currículo, cada escola segue um livro didático diferente e que, por sua vez, apresenta uma ordem singular das matérias.

Nesse sentido, a diretriz municipal traz sugestões de trabalho na sala de aula. Coordenadores e professores receberão material de apoio com propostas de sequências didáticas. Alunos também terão material de apoio, ancoradas da mesma forma no currículo municipal.

Esses textos de apoio devem chegar às escolas no início do ano. Mas no próprio currículo já há indicações sobre como cumprir os objetivos. O documento é dividido por disciplinas: língua portuguesa, matemática, história, geografia, ciências naturais, arte, educação física, língua inglesa e tecnologias para a aprendizagem. Ele segue a organização de ciclos adotada na rede durante a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT).

Objeto de polêmica na base nacional, a rede municipal vai manter o ciclo de alfabetização em três anos. Mas a meta é que todos os alunos estejam alfabetizados até o fim do 2º ano –da mesma forma que a base prevê agora.

Além dos objetivos de aprendizagem, que preveem o que os alunos devem aprender em determinado ano ou ciclo, essas áreas são organizadas em torno de uma matriz que dialoga com as chamadas competências socioemocionais, como empatia, colaboração, comunicação e pensamento crítico. Também compõem o currículo temas da cidade, como imigrantes e rios.

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