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Domingo, 11 Fevereiro 2018 15:49

Aliança de ruralistas com Bolsonaro preocupa Alckmin

"Hoje o agro é 95% Bolsonaro", sentencia Frederico D'Ávila. Vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, ele é o principal consultor da área de Alckmin.
Alckmin está preocupado com as alianças já feitas por Bolsonaro junto ao setor do agronegócio. Alckmin está preocupado com as alianças já feitas por Bolsonaro junto ao setor do agronegócio. Fotos Públicas/Divulgação
Por Folhapress

A consolidação da pré-candidatura ao Planalto de Jair Bolsonaro (PSC) no agronegócio acendeu um alerta no entorno de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e presidenciável pelo PSDB, partido que historicamente recebe o apoio do setor.

"Hoje o agro é 95% Bolsonaro", sentencia Frederico D'Ávila. Vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, ele é o principal consultor da área de Alckmin.
"Como novo líder do PSDB na Câmara, é difícil, mas posso atestar o mesmo. É um fenômeno claro", completa o tucano Nilson Leitão (MT), que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária, maior grupo por afinidade da Casa, com 220 integrantes de diversas legendas.

Na avaliação deles, Bolsonaro hoje ocupa um vácuo deixado pela centro-direita junto a produtores rurais."Se o Geraldo continuar nessa toada, sem correr o país, fazendo só eventos 'nós-com-nós' montados pelo ITV [instituto do PSDB], dando sinais dúbios, eu digo com toda segurança, como seu amigo, que seria melhor ele concorrer ao Senado, porque ganha a eleição com facilidade e seria excelente presidente do Congresso", diz DÁvila.

Produtor de grãos filiado ao PP, ele é irmão do pré-candidato tucano à sucessão de Alckmin Luiz Felipe D'Ávila, que hoje tende a ser tratorado em prévias pelo prefeito paulistano, João Doria. De 2011 a 2013, ele foi assessor especial do governador.

O sucesso de Bolsonaro está no discurso. "Ele fala o que o nosso pessoal quer ouvir", diz Leitão. Com efeito, o presidenciável foi na quarta (7) à primeira das quatro grandes feiras agropecuárias do ano, o Show Rural de Cascavel (PR).

O evento recebeu também João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos), pré-candidatos na rabeira das pesquisas ora lideradas pelo deputado em cenários sem Luiz Inácio Lula da Silva.

IMPACTO
Falando à plateia, ele prometeu criminalizar ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e ajudar na concessão de crédito rural. Foi interrompido por gritos de "mito". Na quinta, voou a Dourados (MS), onde falaria (mal) de índios para produtores locais. O impacto potencial do apoio do agronegócio a qualquer candidato é grande.

O setor estima ter 5,5 milhões de pessoas empregadas diretamente em sua cadeia produtiva no Brasil, o que pode parecer pouco, mas cada uma delas tem família e grande capilaridade regional, o que pode amplificar tal influência para talvez quatro ou cinco vezes mais eleitores.

Um estrategista de Bolsonaro afirmou que o trabalho de guerrilha do deputado, que viaja acompanhado do filho Eduardo e de um assessor, será mais bem estruturado. O marqueteiro Chico Mendez foi convidado a integrar sua equipe, mas declinou.

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que não apoia nenhum candidato, irá chamar os nomes no páreo no começo da campanha para apresentar demandas: concessão de crédito para safra, seguro rural e infraestrutura de escoamento de produção.

D'Ávila acrescenta como fator favorável a Bolsonaro a questão da segurança. "O produtor está com medo. Há furto de gado, de carga", diz. A CNA já identificou até a presença de "pedágios do tráfico" em hidrovias que levam soja e milho a portos do Arco Norte (AM, PA e BA).

Como o deputado usa retórica agressiva contra criminalidade, encontra ressonância. "Depois de abril, Alckmin terá de engrossar o discurso", afirma Leitão, que vê chances de o tucano recuperar terreno perdido. "O brasileiro não gosta tanto de agressividade, mas precisa ter segurança jurídica para trabalhar."

Ele reputa a "30 anos de leis socialistas" o que chama de "preconceito contra ruralista". D'Ávila concorda e aponta erros em São Paulo que afastaram a simpatia da área.

A concessão de áreas a sem-terra, a demora em anunciar o veto ao projeto da "segunda sem carne" e a inação na polêmica sobre a exportação de bois vivos pelo porto de Santos estão nessa lista.

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